Equações com exponenciais e logaritmos: resolução de problemas

Matemática A - 12.º ano - Novo Programa 2026 - matematicaparatodos.pt

📌 Resumo teórico

Equações exponenciais

Sendo \(a\in\mathbb{R}^{+}\setminus\{1\}\), a função \(x\mapsto a^{x}\) é injetiva, pelo que:

\[ a^{u}=a^{v} \iff u=v \qquad\text{e}\qquad a^{u}=b \iff u=\log_a b\ \ (b\gt 0) \]

Estratégias mais frequentes: reduzir os dois membros à mesma base; pôr \(a^{x}\) em evidência; fazer a mudança de variável \(y=a^{x}\), com \(y\gt 0\).

Equações logarítmicas

Comece sempre por determinar o domínio: cada \(\log_a(\ldots)\) exige argumento positivo. No fim, verifique se as soluções obtidas lhe pertencem.

\[ \log_a u=\log_a v \iff u=v \ \land\ u\gt 0 \qquad\qquad \log_a u=k \iff u=a^{k} \]

Antes de resolver, junta-se tudo num só logaritmo com as regras \(\log_a x+\log_a y=\log_a(xy)\) e \(\log_a x-\log_a y=\log_a\left(\frac{x}{y}\right)\). Uma constante \(k\) pode escrever-se \(k=\log_a\left(a^{k}\right)\), o que permite juntá-la aos restantes logaritmos.

Modelos de crescimento e decrescimento

\[ N(t)=N_0\,e^{kt} \qquad \begin{cases} k\gt 0:\ \text{crescimento exponencial}\\ k\lt 0:\ \text{decrescimento exponencial}\end{cases} \]

Num modelo destes, o quociente \(\dfrac{N(t+1)}{N(t)}=e^{k}\) é constante: em cada unidade de tempo a grandeza fica multiplicada sempre pelo mesmo fator.

Nos modelos logísticos, do tipo \(\ \displaystyle N(t)=\frac{A}{1+B\,e^{-kt}}\ \) (com \(k\gt 0\)), o valor de \(N\) aproxima-se de \(A\) quando \(t\to +\infty\): \(A\) é o valor-limite do modelo.

Ferramentas úteis

Para resolver uma equação com a calculadora gráfica, introduzem-se os dois membros em \(Y_1\) e \(Y_2\) e determinam-se as abcissas dos pontos de interseção. Recorde ainda:

\[ \text{t.m.v.}_{[a,b]}=\frac{f(b)-f(a)}{b-a} \qquad A_{\text{trapézio}}=\frac{B+b}{2}\times h \qquad \overline{AB}=\sqrt{(x_B-x_A)^{2}+(y_B-y_A)^{2}} \]

1. Equações exponenciais

1

Resolva, em \(\mathbb{R}\), as seguintes equações.

  1. 1.1. \(9^{x+1}=27^{2-x}\)
  2. 1.2. \(e^{3x-2}=5\times e^{x+1}\)
  3. 1.3. \(e^{2-x}=7\)
  4. 1.4. \(9^{x}-4\times 3^{x}+3=0\)
  5. 1.5. \(2^{x+3}+2^{x-1}=17\)
  6. 1.6. \(2^{x+2}+2^{-x}=5\)
1.1. — reduzir à mesma base
\[ \begin{aligned} 9^{x+1}=27^{2-x} &\iff \left(3^{2}\right)^{x+1}=\left(3^{3}\right)^{2-x}\\ &\iff 3^{2x+2}=3^{6-3x}\\ &\iff 2x+2=6-3x \iff 5x=4 \iff x=\frac45 \end{aligned} \]
1.2. — isolar a exponencial e aplicar logaritmos
\[ \begin{aligned} e^{3x-2}=5\,e^{x+1} &\iff \frac{e^{3x-2}}{e^{x+1}}=5\\ &\iff e^{2x-3}=5\\ &\iff 2x-3=\ln 5 \iff x=\frac{3+\ln 5}{2} \end{aligned} \]
1.3.
\[ e^{2-x}=7 \iff 2-x=\ln 7 \iff x=2-\ln 7 \]
1.4. — mudança de variável

Como \(9^{x}=\left(3^{x}\right)^{2}\), faz-se \(y=3^{x}\), com \(y\gt 0\):

\[ y^{2}-4y+3=0 \iff y=\frac{4\pm\sqrt{16-12}}{2}=\frac{4\pm 2}{2} \iff y=1 \ \lor\ y=3 \]

Ambos os valores são positivos, logo ambos são admissíveis:

\[ 3^{x}=1 \iff x=0 \qquad\text{ou}\qquad 3^{x}=3 \iff x=1 \]
1.5. — pôr \(2^{x}\) em evidência
\[ \begin{aligned} 2^{x+3}+2^{x-1}=17 &\iff 2^{x}\times 2^{3}+2^{x}\times 2^{-1}=17\\ &\iff 2^{x}\left(8+\frac12\right)=17\\ &\iff 2^{x}\times\frac{17}{2}=17 \iff 2^{x}=2 \iff x=1 \end{aligned} \]
1.6. — expoentes simétricos

Com \(y=2^{x}\), \(y\gt 0\), tem-se \(2^{x+2}=4y\) e \(2^{-x}=\dfrac1y\):

\[ 4y+\frac1y=5 \iff 4y^{2}+1=5y \iff 4y^{2}-5y+1=0 \]
\[ y=\frac{5\pm\sqrt{25-16}}{8}=\frac{5\pm 3}{8} \iff y=1 \ \lor\ y=\frac14 \]
\[ 2^{x}=1 \iff x=0 \qquad\text{ou}\qquad 2^{x}=\frac14=2^{-2} \iff x=-2 \]
1.1) \(\left\{\tfrac45\right\}\)  •  1.2) \(\left\{\tfrac{3+\ln 5}{2}\right\}\)  •  1.3) \(\{2-\ln 7\}\)  •  1.4) \(\{0,\,1\}\)  •  1.5) \(\{1\}\)  •  1.6) \(\{-2,\,0\}\)

2. Equações logarítmicas

2

Resolva, em \(\mathbb{R}\), as seguintes equações.

  1. 2.1. \(\log_2(4x-3)=3\)
  2. 2.2. \(\log_3(x+7)=\log_3(x-1)+2\)
  3. 2.3. \(\log_5(3x-2)+1=\log_5 x\)
  4. 2.4. \(\log_3(x-2)+\log_3(x+2)=1\)
  5. 2.5. \(\log(x+8)-1=\log(x-1)\)
  6. 2.6. \(\ln^{2} x-3\ln x+2=0\)

Em cada alínea determina-se primeiro o domínio da equação e só depois se resolve.

2.1.

Domínio: \(4x-3\gt 0 \iff x\gt\dfrac34\).

\[ \log_2(4x-3)=3 \iff 4x-3=2^{3} \iff 4x=11 \iff x=\frac{11}{4} \]

Como \(\dfrac{11}{4}=2{,}75\gt\dfrac34\), a solução é admissível.

2.2.

Domínio: \(x+7\gt 0\ \land\ x-1\gt 0\), ou seja, \(x\gt 1\).

\[ \begin{aligned} \log_3(x+7)-\log_3(x-1)=2 &\iff \log_3\frac{x+7}{x-1}=2\\ &\iff \frac{x+7}{x-1}=3^{2}\\ &\iff x+7=9(x-1)\\ &\iff 16=8x \iff x=2 \end{aligned} \]

Como \(2\gt 1\), a solução é admissível.

2.3. — escrever a constante como logaritmo

Domínio: \(3x-2\gt 0\ \land\ x\gt 0\), ou seja, \(x\gt\dfrac23\). Usa-se \(1=\log_5 5\):

\[ \begin{aligned} \log_5(3x-2)+\log_5 5=\log_5 x &\iff \log_5\big[5(3x-2)\big]=\log_5 x\\ &\iff 15x-10=x\\ &\iff 14x=10 \iff x=\frac57 \end{aligned} \]

Como \(\dfrac57\approx 0{,}714\gt\dfrac23\approx 0{,}667\), a solução é admissível.

2.4.

Domínio: \(x-2\gt 0\ \land\ x+2\gt 0\), ou seja, \(x\gt 2\).

\[ \begin{aligned} \log_3\big[(x-2)(x+2)\big]=1 &\iff x^{2}-4=3\\ &\iff x^{2}=7 \iff x=\sqrt7 \ \lor\ x=-\sqrt7 \end{aligned} \]

Como \(-\sqrt7\lt 2\), esse valor não pertence ao domínio e é de rejeitar; \(\sqrt7\approx 2{,}65\gt 2\).

2.5.

Domínio: \(x+8\gt 0\ \land\ x-1\gt 0\), ou seja, \(x\gt 1\). Aqui \(\log\) é o logaritmo decimal e \(1=\log 10\):

\[ \begin{aligned} \log(x+8)-\log(x-1)=1 &\iff \log\frac{x+8}{x-1}=1\\ &\iff \frac{x+8}{x-1}=10\\ &\iff x+8=10x-10 \iff x=2 \end{aligned} \]
2.6. — mudança de variável

Domínio: \(x\gt 0\). Fazendo \(y=\ln x\):

\[ y^{2}-3y+2=0 \iff y=\frac{3\pm\sqrt{9-8}}{2}=\frac{3\pm 1}{2} \iff y=1 \ \lor\ y=2 \]
\[ \ln x=1 \iff x=e \qquad\text{ou}\qquad \ln x=2 \iff x=e^{2} \]

Ambos os valores são positivos, logo pertencem ao domínio.

2.1) \(\left\{\tfrac{11}{4}\right\}\)  •  2.2) \(\{2\}\)  •  2.3) \(\left\{\tfrac57\right\}\)  •  2.4) \(\{\sqrt7\}\)  •  2.5) \(\{2\}\)  •  2.6) \(\{e,\,e^{2}\}\)

3. Dissolução de açúcar

3

Um recipiente tem uma certa quantidade de açúcar. Para dissolver o açúcar, enche-se o recipiente com água.

Admita que a massa, em gramas, de açúcar ainda não dissolvido, \(t\) minutos após o início do processo de dissolução, é dada, aproximadamente, por

\[ M(t)=50\,e^{-0,03\,t}\ ,\qquad t\geqslant 0 \]
  1. 3.1. Determine a massa de açúcar dissolvido \(20\) minutos após o início do processo de dissolução. Apresente o valor pedido em gramas, arredondado às unidades.
  2. 3.2. Determine quanto tempo decorreu até a massa de açúcar não dissolvido se ter reduzido para metade da quantidade inicial de açúcar não dissolvido. Apresente o valor pedido em minutos, arredondado às unidades.
  3. 3.3. Determine, com arredondamento às centésimas, o valor de \(\dfrac{M(t+1)}{M(t)}\) e interprete o valor obtido no contexto do problema.
3.1. — atenção: pede-se o açúcar dissolvido

A quantidade inicial de açúcar é \(M(0)=50\,e^{0}=50\) gramas. Ao fim de \(20\) minutos, a massa ainda não dissolvida é:

\[ M(20)=50\,e^{-0,03\times 20}=50\,e^{-0,6}\approx 27{,}44 \]

Logo, a massa já dissolvida é a diferença:

\[ 50-27{,}44=22{,}56 \]
Dissolveram-se, aproximadamente, \(23\) gramas de açúcar.
3.2.

Metade da quantidade inicial é \(25\) gramas:

\[ \begin{aligned} 50\,e^{-0,03\,t}=25 &\iff e^{-0,03\,t}=0{,}5\\ &\iff -0{,}03\,t=\ln 0{,}5\\ &\iff t=\frac{\ln 2}{0{,}03}\approx 23{,}10 \end{aligned} \]
Decorreram, aproximadamente, \(23\) minutos.
3.3.
\[ \frac{M(t+1)}{M(t)}=\frac{50\,e^{-0,03(t+1)}}{50\,e^{-0,03\,t}}=e^{-0,03}\approx 0{,}97 \]

O quociente não depende de \(t\).

Em cada minuto, a massa de açúcar não dissolvido reduz-se a cerca de \(97\%\) da massa que existia no minuto anterior, ou seja, diminui aproximadamente \(3\%\) por minuto.

4. Altura de uma araucária

4

Admita que a altura, \(h\), em metros, de uma certa araucária, em função da sua idade, \(t\), em anos, é dada, aproximadamente, por

\[ h(t)=-3{,}8+5{,}5\ln(t)\ ,\qquad t\in\left[4,\,30\right] \]
  1. 4.1. Determine a idade da araucária quando atingiu \(14\) metros de altura. Apresente o valor pedido, em anos, arredondado às centésimas.
  2. 4.2. Mostre que, para \(t\in\left[4,\,15\right]\), se tem \(h(2t)-h(t)\approx 3{,}81\). Interprete esta igualdade no contexto da situação descrita.
4.1.
\[ \begin{aligned} -3{,}8+5{,}5\ln t=14 &\iff 5{,}5\ln t=17{,}8\\ &\iff \ln t=\frac{17{,}8}{5{,}5}\\ &\iff t=e^{\frac{17,8}{5,5}}\approx 25{,}44 \end{aligned} \]

O valor obtido pertence ao intervalo \(\left[4,\,30\right]\), pelo que é admissível.

A araucária tinha, aproximadamente, \(25{,}44\) anos.
4.2.

Se \(t\in\left[4,\,15\right]\), então \(2t\in\left[8,\,30\right]\) e ambos os valores pertencem ao domínio de \(h\).

\[ \begin{aligned} h(2t)-h(t) &=\big[-3{,}8+5{,}5\ln(2t)\big]-\big[-3{,}8+5{,}5\ln t\big]\\ &=5{,}5\big[\ln(2t)-\ln t\big]\\ &=5{,}5\ln\frac{2t}{t}=5{,}5\ln 2\approx 3{,}81 \end{aligned} \]
Sempre que a idade da araucária duplica (dentro do intervalo considerado), a sua altura aumenta cerca de \(3{,}81\) metros, qualquer que seja a idade de partida.

5. Comprimento de carapaus

5

Num estudo sobre uma população de carapaus, concluiu-se que o comprimento, \(C\), em centímetros, de um carapau dessa população é dado, em função de \(t\), aproximadamente, por

\[ C(t)=45\times\left(1-e^{-0,12\,t-0,38}\right)\ ,\qquad t\geqslant 1 \]

em que \(t\) é a idade, em anos, do carapau.

  1. 5.1. De acordo com o modelo apresentado, quantos centímetros cresce um carapau dessa população durante o segundo ano de vida? Apresente o resultado arredondado às décimas.
  2. 5.2. Admita que a massa, \(M\), em gramas, de um carapau dessa população, com \(C\) centímetros de comprimento, é dada por
    \[ M(C)=0{,}009\times C^{3}\ ,\qquad C\geqslant 17 \]
    Determine a idade de um carapau dessa população com \(500\) gramas de massa. Apresente o resultado em anos e meses, com o número de meses arredondado às unidades.
5.1. — o segundo ano decorre entre \(t=1\) e \(t=2\)
\[ \begin{aligned} C(1)&=45\left(1-e^{-0,12-0,38}\right)=45\left(1-e^{-0,5}\right)\approx 17{,}71\\ C(2)&=45\left(1-e^{-0,24-0,38}\right)=45\left(1-e^{-0,62}\right)\approx 20{,}79 \end{aligned} \]
\[ C(2)-C(1)\approx 20{,}79-17{,}71=3{,}09 \]
Durante o segundo ano de vida o carapau cresce, aproximadamente, \(3{,}1\) cm.
5.2. — passo 1: comprimento correspondente a 500 g
\[ 0{,}009\,C^{3}=500 \iff C^{3}=\frac{500}{0{,}009} \iff C=\sqrt[3]{\frac{500}{0{,}009}}\approx 38{,}16 \]

Como \(38{,}16\geqslant 17\), o valor está no domínio do modelo da massa.

5.2. — passo 2: idade correspondente a esse comprimento
\[ \begin{aligned} 45\left(1-e^{-0,12\,t-0,38}\right)=38{,}16 &\iff 1-e^{-0,12\,t-0,38}=\frac{38{,}16}{45}\\ &\iff e^{-0,12\,t-0,38}=1-0{,}848\ldots\\ &\iff -0{,}12\,t-0{,}38=\ln\left(0{,}1520\ldots\right)\\ &\iff t\approx 12{,}53 \end{aligned} \]

(Em alternativa, determina-se a interseção de \(Y_1=C(x)\) com \(Y_2=38{,}16\) na calculadora gráfica.)

A parte decimal corresponde a \(0{,}53\times 12\approx 6{,}3\) meses.

O carapau tem, aproximadamente, \(12\) anos e \(6\) meses.

6. Tintas numa tela

6

Considere que, num mesmo instante, um pouco de tinta acrílica vermelha e um pouco de tinta acrílica azul são derramados sobre uma tela em branco.

Admita que a área, em cm², ocupada pela tinta vermelha na tela, \(V\), e a área, em cm², da tinta azul na tela, \(A\), \(t\) minutos após o instante em que as tintas são derramadas, são dadas, aproximadamente, por

\[ V(t)=\frac{60}{1+24\,e^{-0,7\,t}} \qquad\text{e}\qquad A(t)=\frac{45}{1+40\,e^{-0,7\,t}}\ ,\qquad t\geqslant 0 \]

Considere que a região ocupada por cada uma das tintas tem forma circular.

  1. 6.1. Determine o aumento da área da região ocupada pela tinta vermelha no primeiro minuto. Apresente o valor pedido em cm², arredondado às décimas.
  2. 6.2. Admita que os centros das regiões circulares ocupadas pelas duas tintas distam \(8{,}5\) cm. Com o decorrer do tempo, alguma parte das duas regiões vai sobrepor-se? Justifique a sua resposta.
6.1.
\[ \begin{aligned} V(0)&=\frac{60}{1+24\,e^{0}}=\frac{60}{25}=2{,}4\\ V(1)&=\frac{60}{1+24\,e^{-0,7}}\approx 4{,}64 \end{aligned} \]
\[ V(1)-V(0)\approx 4{,}64-2{,}4=2{,}24 \]
A área ocupada pela tinta vermelha aumentou, aproximadamente, \(2{,}2\) cm² no primeiro minuto.
6.2. — passo 1: áreas máximas

Como \(e^{-0,7t}\to 0\) quando \(t\to +\infty\):

\[ \lim_{t\to +\infty} V(t)=\frac{60}{1+0}=60 \qquad\text{e}\qquad \lim_{t\to +\infty} A(t)=\frac{45}{1+0}=45 \]

As áreas são crescentes e nunca chegam a atingir estes valores, pelo que \(V(t)\lt 60\) e \(A(t)\lt 45\) para todo o \(t\).

6.2. — passo 2: raios máximos

Sendo as regiões circulares, de área \(\pi r^{2}\):

\[ r_V\lt\sqrt{\frac{60}{\pi}}\approx 4{,}37 \qquad\text{e}\qquad r_A\lt\sqrt{\frac{45}{\pi}}\approx 3{,}78 \]
6.2. — passo 3: comparar com a distância entre os centros

Duas regiões circulares sobrepõem-se apenas se a soma dos raios for superior à distância entre os centros. Ora:

\[ r_V+r_A\lt 4{,}37+3{,}78=8{,}15\lt 8{,}5 \]
Não. A soma dos raios é sempre inferior a \(8{,}15\) cm, valor menor do que os \(8{,}5\) cm que separam os centros, pelo que as duas regiões nunca se sobrepõem.

7. Pressão atmosférica

7

Admita que a pressão atmosférica, \(P\), em hectopascal, hPa, de um local de altitude \(h\), em metros, é dada, aproximadamente, por

\[ P(h)=1013{,}25\times e^{-\frac{h}{1350}}\ ,\qquad h\geqslant -1000 \]
  1. 7.1. Determine a pressão atmosférica no interior de uma mina com \(-0{,}2\) km de altitude. Apresente o valor pedido em hPa, arredondado às centésimas.
  2. 7.2. Considere dois locais, \(A\) e \(B\). Sabe-se que a pressão atmosférica no local \(A\) é o triplo da pressão atmosférica no local \(B\). Determine a diferença de altitudes entre os locais \(B\) e \(A\). Apresente o valor pedido em metros, arredondado às centésimas.
7.1.

Começa-se por converter a altitude para metros: \(-0{,}2\) km \(=-200\) m.

\[ P(-200)=1013{,}25\times e^{\frac{200}{1350}}\approx 1175{,}05 \]
A pressão é de, aproximadamente, \(1175{,}05\) hPa.
7.2.

Sejam \(h_A\) e \(h_B\) as altitudes dos locais. A condição do enunciado escreve-se \(P(h_A)=3\,P(h_B)\):

\[ 1013{,}25\,e^{-\frac{h_A}{1350}}=3\times 1013{,}25\,e^{-\frac{h_B}{1350}} \iff e^{-\frac{h_A}{1350}}=3\,e^{-\frac{h_B}{1350}} \]
\[ \iff e^{\frac{h_B-h_A}{1350}}=3 \iff \frac{h_B-h_A}{1350}=\ln 3 \iff h_B-h_A=1350\ln 3 \]
\[ 1350\ln 3\approx 1483{,}13 \]

O resultado é positivo, o que era de esperar: no local de maior altitude a pressão é menor, logo \(B\) está acima de \(A\).

\(h_B-h_A\approx 1483{,}13\) metros.

8. Área máxima de um trapézio

8

Considere, num referencial o.n. \(Oxy\), a função \(f\), de domínio \(\left]-2{,}5e^{2},\,+\infty\right[\), definida por

\[ f(x)=5+3\ln\left(0{,}4x+e^{2}\right) \]

Considere que um ponto \(P\) se desloca no segundo quadrante sobre o gráfico da função \(f\). Para cada posição do ponto \(P\), considere o trapézio retângulo \([OQPR]\), em que:

  • • \(Q\) é o ponto do eixo das abcissas que tem a mesma abcissa do ponto \(P\);
  • • \(R\) é o ponto do gráfico de \(f\) que pertence ao eixo das ordenadas.

Determine, recorrendo às capacidades gráficas da calculadora, as coordenadas do ponto \(P\) para as quais o valor da área do trapézio \([OQPR]\) é máximo.

Apresente os valores pedidos arredondados às décimas. Em cálculos intermédios, conserve, no mínimo, duas casas decimais.

Passo 1 — as bases e a altura do trapézio

Sendo \(x\) a abcissa de \(P\), com \(x\lt 0\), os quatro vértices são:

\[ O(0,\,0)\ ,\quad Q(x,\,0)\ ,\quad P\big(x,\,f(x)\big)\ ,\quad R\big(0,\,f(0)\big) \]

Os lados \([OR]\) e \([QP]\) são verticais e paralelos: são as bases do trapézio. O lado \([OQ]\), sobre o eixo \(Ox\), é a altura.

\[ f(0)=5+3\ln\left(e^{2}\right)=5+3\times 2=11 \qquad\Rightarrow\qquad \overline{OR}=11 \]
\[ \overline{QP}=f(x) \qquad\text{e}\qquad \overline{OQ}=|x|=-x \]
Passo 2 — expressão da área
\[ A(x)=\frac{\overline{OR}+\overline{QP}}{2}\times\overline{OQ} =\frac{11+5+3\ln\left(0{,}4x+e^{2}\right)}{2}\times(-x) \]

Como \(P\) está no segundo quadrante, tem-se \(x\lt 0\) e \(f(x)\gt 0\).

Passo 3 — maximizar com a calculadora

Introduzindo

\[ Y_1=\frac{16+3\ln\left(0{,}4x+e^{2}\right)}{2}\times(-x) \]

e procurando o máximo para \(x\lt 0\), obtém-se \(x\approx -15{,}62\), a que corresponde uma área máxima de aproximadamente \(128{,}05\).

\[ f(-15{,}62)=5+3\ln\left(0{,}4\times(-15{,}62)+e^{2}\right)\approx 5{,}40 \]
\(P\approx\left(-15{,}6\,;\ 5{,}4\right)\)

9. Fio elétrico suspenso

9

Um fio elétrico está suspenso de dois postes. Sejam \(A\) e \(B\) os pontos correspondentes às bases dos postes e seja \(O\) o ponto médio de \([AB]\).

Considere a reta \(AB\) como um eixo orientado da esquerda para a direita, com origem no ponto \(O\) e onde uma unidade corresponde a \(1\) metro.

Para cada ponto situado entre \(A\) e \(B\), de abcissa \(x\), a altura, em metros, do fio ao solo é dada por

\[ h(x)=5\left(e^{0,1x}+e^{-0,1x}\right) \]
  1. 9.1. Mostre que os postes têm a mesma altura.
  2. 9.2. Determine a distância entre os dois postes, sabendo que a altura dos mesmos é de \(13{,}5\) metros. Apresente o valor pedido em metros, arredondado às décimas.
9.1. — a função é par

Como \(O\) é o ponto médio de \([AB]\) e é a origem do eixo, os pontos \(A\) e \(B\) têm abcissas simétricas: se \(B\) tem abcissa \(c\), então \(A\) tem abcissa \(-c\).

\[ h(-x)=5\left(e^{-0,1x}+e^{0,1x}\right)=h(x) \]

A troca de \(x\) por \(-x\) apenas troca as duas parcelas entre si. Em particular:

\[ h(-c)=h(c) \]
As alturas do fio nas bases dos dois postes são iguais, ou seja, os postes têm a mesma altura.
9.2. — passo 1: mudança de variável

Seja \(u=e^{0,1x}\), com \(u\gt 0\). Então \(e^{-0,1x}=\dfrac1u\) e:

\[ 5\left(u+\frac1u\right)=13{,}5 \iff u+\frac1u=2{,}7 \iff u^{2}-2{,}7\,u+1=0 \]
9.2. — passo 2: resolver
\[ u=\frac{2{,}7\pm\sqrt{7{,}29-4}}{2}=\frac{2{,}7\pm\sqrt{3{,}29}}{2} \implies u\approx 2{,}2569 \ \lor\ u\approx 0{,}4431 \]
\[ e^{0,1x}\approx 2{,}2569 \iff x\approx\frac{\ln 2{,}2569}{0{,}1}\approx 8{,}14 \]

A segunda solução dá \(x\approx -8{,}14\), a abcissa do outro poste — como era de esperar, pela simetria.

9.2. — passo 3: a distância
\[ \overline{AB}=8{,}14-(-8{,}14)=16{,}28 \]
Os postes distam, aproximadamente, \(16{,}3\) metros.

10. Distância entre dois pontos do gráfico

10

Considere a função \(f\), de domínio \(\mathbb{R}\), definida por

\[ f(x)=\begin{cases} e^{x} & \text{se } x\leqslant 0\\[.35em] \dfrac{\ln x}{x} & \text{se } x\gt 0 \end{cases} \]

Num referencial cartesiano \(Oxy\), sejam \(A\) e \(B\) pontos do gráfico de \(f\), de abcissas simétricas, pertencendo o ponto \(B\) ao 1.º quadrante.

Determine, recorrendo às capacidades gráficas da calculadora, a abcissa do ponto \(B\), sabendo que \(\overline{AB}=9\). Apresente o valor pedido arredondado às décimas.

Passo 1 — coordenadas de \(A\) e de \(B\)

Seja \(b\) a abcissa de \(B\). Como \(B\) pertence ao 1.º quadrante, tem-se \(b\gt 0\) e \(f(b)\gt 0\), o que obriga a \(\ln b\gt 0\), ou seja, \(b\gt 1\). A abcissa de \(A\) é \(-b\), com \(-b\lt 0\), pelo que se usa o primeiro ramo:

\[ A\left(-b,\ e^{-b}\right) \qquad\text{e}\qquad B\left(b,\ \frac{\ln b}{b}\right) \]
Passo 2 — expressão da distância
\[ \overline{AB}=\sqrt{\big(b-(-b)\big)^{2}+\left(\frac{\ln b}{b}-e^{-b}\right)^{2}} =\sqrt{4b^{2}+\left(\frac{\ln b}{b}-e^{-b}\right)^{2}} \]
Passo 3 — resolver com a calculadora

Introduzem-se

\[ Y_1=\sqrt{4x^{2}+\left(\frac{\ln x}{x}-e^{-x}\right)^{2}} \qquad\text{e}\qquad Y_2=9 \]

e determina-se a abcissa do ponto de interseção, para \(x\gt 1\), obtendo-se \(x\approx 4{,}50\).

Repare-se que a diferença entre as ordenadas é muito pequena (\(\frac{\ln b}{b}\approx 0{,}33\) e \(e^{-b}\approx 0{,}01\)), pelo que a distância é quase igual a \(2b\) — o que ajuda a confirmar a ordem de grandeza do resultado.

A abcissa do ponto \(B\) é, aproximadamente, \(4{,}5\).