Exercícios de Exame - Proposições Falsas

Justificar falsidade - Assíntotas - Continuidade - Monotonia - Concavidade

Matemática A - 12.º ano - matematicaparatodos.pt

Estratégia comum.
Ferramentas úteis.

1. Zeros de \(f'\), extremos e concavidade

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Exame 2026, 1.ª Fase - item 14Resposta aberta

Seja \(f\) uma função polinomial de grau cinco, e seja \(f'\) a primeira derivada da função \(f\). Na figura, está representada, em referencial o.n. \(Oxy\), parte do gráfico da função \(f'\).

Gráfico da função f' com zeros em -1, 0 e 3
Figura - gráfico da função \(f'\)

Sabe-se que:

  • \(-1\), \(0\) e \(3\) são os zeros da função \(f'\);
  • \(f'(x)\lt 0 \Leftrightarrow -1\lt x\lt 0\);
  • a função \(f'\) é monótona no intervalo \([3,+\infty[\).

Considere as proposições seguintes.

I. A função \(f\) admite três extremos.

II. O gráfico da função \(f\) tem concavidade voltada para baixo no intervalo \(]3,+\infty[\).

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

A função \(f\) só tem extremo relativo nos zeros de \(f'\) onde há mudança de sinal. Em \(x=-1\), \(f'\) passa de positivo para negativo; em \(x=0\), passa de negativo para positivo. Em \(x=3\), \(f'\) anula-se, mas não muda de sinal.

\(x\)\(-\infty\)\(-1\)\(0\)\(3\)\(+\infty\)
\(f'\)\(+\)\(0\)\(-\)\(0\)\(+\)\(0\)\(+\)
\(f\)máx.mín.
Conclusão: \(f\) admite dois extremos, e não três.
Proposição II

No intervalo \([3,+\infty[\), observa-se que \(f'\) é crescente. Logo, \(f''\ge 0\) nesse intervalo e o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima, não para baixo.

As proposições I e II são falsas pelas razões indicadas.

2. Segunda derivada, inflexão e declives

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Exame 2025, Época Especial - item 11Resposta aberta

Considere uma função \(f\), de domínio \(\mathbb{R}\), duas vezes diferenciável, e a função \(f''\), segunda derivada da função \(f\).

Sabe-se que:

  • \(f''(x)\ge 0 \Leftrightarrow x\ge \dfrac{3}{4}\);
  • a função \(f''\) tem exatamente dois zeros: \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\);
  • as retas \(r\) e \(s\) são tangentes ao gráfico da função \(f\) nos pontos de abcissas \(-2\) e \(-1\), respetivamente.

Considere as proposições seguintes.

I. O gráfico da função \(f\) tem dois pontos de inflexão, de abcissas \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\).

II. O declive da reta \(r\) é menor do que o declive da reta \(s\).

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

Como \(f''(x)\ge 0 \Leftrightarrow x\ge \dfrac{3}{4}\) e \(f''\) tem zeros em \(\dfrac{3}{4}\) e em \(3\), o sinal de \(f''\) é negativo antes de \(\dfrac{3}{4}\), positivo entre \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\), e positivo depois de \(3\).

\(x\)\(-\infty\)\(\dfrac{3}{4}\)\(3\)\(+\infty\)
\(f''\)\(-\)\(0\)\(+\)\(0\)\(+\)
\(f\)\(\cap\)P.I.\(\cup\)\(\cup\)

Em \(x=3\), \(f''\) anula-se, mas não muda de sinal. Logo, não há ponto de inflexão com abcissa \(3\).

Proposição II

No intervalo \(]-\infty,\dfrac{3}{4}[\), tem-se \(f''(x)\lt 0\), pelo que \(f'\) é decrescente nesse intervalo. Como \(-2\lt -1\), conclui-se que \(f'(-2)\gt f'(-1)\).

Declives: \(m_r=f'(-2)\) e \(m_s=f'(-1)\). Assim, \(m_r\gt m_s\), e não \(m_r\lt m_s\).
As proposições I e II são falsas.

3. Assíntota vertical e tangente impossível

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Exame 2025, 1.ª Fase - item 13Resposta aberta

Considere uma função \(f\), de domínio \(\mathbb{R}\), diferenciável em \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\).

Sabe-se que:

  • a função \(f\) é crescente em \(]-\infty,1[\) e em \(]1,+\infty[\);
  • a reta de equação \(x=1\) é assíntota ao gráfico da função \(f\).

Considere as proposições seguintes.

I. A função \(f\) é contínua em \(x=1\).

II. A reta de equação \(y=-x+2\) é tangente ao gráfico da função \(f\) num ponto de abcissa diferente de \(1\).

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

Se \(x=1\) é assíntota vertical ao gráfico de \(f\), então pelo menos um dos limites laterais de \(f(x)\), quando \(x\to 1\), é infinito. Assim, esse limite não pode ser igual a \(f(1)\).

Conclusão: \(f\) não é contínua em \(x=1\).
Proposição II

A reta \(y=-x+2\) tem declive \(-1\). Mas, como \(f\) é crescente em \(]-\infty,1[\) e em \(]1,+\infty[\), o declive de uma reta tangente ao gráfico de \(f\), num ponto de abcissa diferente de \(1\), não pode ser negativo.

As proposições I e II são falsas.

4. Tangente, assíntota e perpendicularidade

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Exame 2024, Época Especial - item 11Resposta aberta

Na figura, estão representadas, em referencial o.n. \(Oxy\), parte do gráfico da função \(f\), diferenciável, de domínio \(\mathbb{R}\), a reta \(r\), tangente ao gráfico de \(f\) na origem do referencial, e a reta \(s\), assíntota ao gráfico de \(f\) quando \(x\) tende para \(+\infty\).

Figura com o gráfico de f, a reta tangente r e a assíntota s
Figura 4 - gráfico de \(f\), reta tangente \(r\) e assíntota \(s\)

Sabe-se que:

  • \(I\) é o ponto de intersecção das retas \(r\) e \(s\) e pertence ao 4.º quadrante;
  • \(\displaystyle \lim_{x\to 0}\frac{f(x)}{x}\times \lim_{x\to +\infty}\frac{f(x)}{x}=-\frac{8}{9}\).

Considere as proposições seguintes.

I. \(f'(0)\gt 0\).

II. As retas \(r\) e \(s\) são perpendiculares.

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

A reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(f\) na origem e passa pelo ponto \(I\), que pertence ao 4.º quadrante. Assim, a reta \(r\) tem declive negativo.

Conclusão: \(f'(0)=m_r\lt 0\), logo é falso que \(f'(0)\gt 0\).
Proposição II

Como a reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(f\) na origem, \(f(0)=0\) e o seu declive é

$$m_r=f'(0)=\lim_{x\to 0}\frac{f(x)-f(0)}{x-0}=\lim_{x\to 0}\frac{f(x)}{x}.$$

Como \(s\) é assíntota ao gráfico de \(f\) quando \(x\to +\infty\), o declive de \(s\) é

$$m_s=\lim_{x\to +\infty}\frac{f(x)}{x}.$$

Logo, pela informação dada,

$$m_r\cdot m_s=-\frac{8}{9}.$$

Se duas retas não verticais fossem perpendiculares, o produto dos seus declives teria de ser \(-1\).

Como \(m_r\cdot m_s=-\frac{8}{9}\ne -1\), as retas \(r\) e \(s\) não são perpendiculares. As proposições I e II são falsas.

5. Derivada crescente, concavidade e extremos

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Exame 2024, 2.ª Fase - item 10Resposta aberta

Seja \(f\) uma função, de domínio \(\mathbb{R}^+\), duas vezes diferenciável.

Relativamente à função \(f\), sabe-se que:

  • a função \(f'\), derivada da função \(f\), é estritamente crescente no intervalo \(]0,+\infty[\);
  • \(f'(1)=2\).

Considere as proposições seguintes.

I. O gráfico da função \(f\) pode ter concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^+\).

II. No intervalo \(]1,5[\), a função \(f\) tem, pelo menos, um extremo.

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

Como \(f'\) é estritamente crescente em \(]0,+\infty[\), o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima nesse domínio. Portanto, não pode ter concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^+\).

Proposição II

Para \(x\in ]1,5[\), tem-se \(f'(x)\gt f'(1)=2\). Assim, \(f'(x)\gt 0\) em todo o intervalo \(]1,5[\), pelo que \(f\) é estritamente crescente nesse intervalo.

A função \(f\) não tem extremos em \(]1,5[\), e ambas as proposições são falsas.

6. Bolzano-Cauchy e assíntota de \(1/f\)

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Exame 2024, 1.ª Fase - item 8Resposta aberta

Seja \(f\) uma função de domínio \(\mathbb{R}\).

Sabe-se que:

  • para qualquer número real \(a\), \(a\ne 2\), \(\displaystyle \lim_{x\to a} f(x)=f(a)\);
  • \(\displaystyle \lim_{x\to 2^+} f(x)=f(2)\), com \(f(2)\gt 0\), e \(\displaystyle \lim_{x\to 2^-} f(x)=-\infty\);
  • \(f(1)\times f(3)\lt 0\).

Considere as proposições seguintes.

I. O teorema de Bolzano-Cauchy permite afirmar que a função \(f\) tem, pelo menos, um zero no intervalo \(]1,3[\).

II. A reta de equação \(x=2\) é assíntota ao gráfico da função \(\dfrac{1}{f}\).

Justifique que as proposições I e II são falsas.

Proposição I

O teorema de Bolzano-Cauchy exige que a função seja contínua em \([1,3]\). Mas, em \(x=2\), a função não é contínua, pois os limites laterais não coincidem: à direita o limite é \(f(2)\gt 0\), e à esquerda o limite é \(-\infty\).

Conclusão: apesar de \(f(1)\times f(3)\lt 0\), não se pode usar Bolzano-Cauchy no intervalo \([1,3]\).
Proposição II

Para que \(x=2\) fosse assíntota vertical ao gráfico de \(\frac{1}{f}\), algum dos limites laterais de \(\frac{1}{f(x)}\) teria de ser infinito.

$$\lim_{x\to 2^+}\frac{1}{f(x)}=\frac{1}{f(2)} \quad \text{(valor finito, pois } f(2)\gt 0\text{)}$$
$$\lim_{x\to 2^-}\frac{1}{f(x)}=\frac{1}{-\infty}=0$$
Nenhum dos limites é infinito; logo, \(x=2\) não é assíntota ao gráfico de \(\frac{1}{f}\).

7. Três referenciais impossíveis

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Exame 2023, 2.ª Fase - item 10Resposta aberta

Seja \(g\) uma função par, diferenciável, de domínio \(\mathbb{R}\setminus\{-1,1\}\), tal que:

  • \(\displaystyle \lim_{x\to 1^-} g(x)=+\infty\);
  • \(g(0)\lt 0\);
  • \(g'(x)\lt 0,\ \forall x\in ]-\infty,-1[\).

Em cada um dos referenciais o.n. \(Oxy\) seguintes, I, II e III, estão representadas parte do gráfico de uma função e a assíntota a esse gráfico, de equação \(x=-1\).

Três referenciais candidatos para o gráfico da função g
Referenciais I, II e III

Justifique que em nenhum dos referenciais, I, II e III, pode estar representada parte do gráfico da função \(g\) em \(]-\infty,0[\setminus\{-1\}\).

Referencial I

Como \(g\) é diferenciável em \(0\), é contínua em \(0\). Logo, \(\lim_{x\to 0^-}g(x)=g(0)\lt 0\). No referencial I, quando \(x\to 0^-\), os valores aproximam-se de uma ordenada positiva.

Referencial II

É dado que \(g'(x)\lt 0\) para todo o \(x\in ]-\infty,-1[\). Portanto, nesse intervalo, \(g\) é decrescente. No referencial II, o ramo à esquerda de \(-1\) é crescente.

Referencial III

Como \(g\) é par, \(g(x)=g(-x)\). Se \(\lim_{x\to 1^-}g(x)=+\infty\), então \(\lim_{x\to -1^+}g(x)=+\infty\). No referencial III, o ramo à direita de \(-1\) tende para \(-\infty\).

Nenhum dos três referenciais pode representar a função \(g\) no intervalo pedido.

8. Assíntota, limite e segunda derivada

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Exame 2023, 1.ª Fase - item 9Resposta aberta

Sejam \(f\) e \(g\) funções duas vezes diferenciáveis, de domínios \(\mathbb{R}\) e \(]0,+\infty[\), respetivamente, e seja \(r\) a reta de equação \(y=2x-1\).

Sabe-se que:

  • a reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(g\) no ponto de abcissa \(1\);
  • \(\displaystyle \lim_{x\to +\infty}\bigl(f(x)-2x+1\bigr)=0\);
  • nos respetivos domínios, o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima e o gráfico de \(g\) tem concavidade voltada para baixo.

Considere as proposições seguintes.

I. O gráfico da função \(f\) admite uma assíntota horizontal quando \(x\) tende para \(+\infty\).

II. \(\displaystyle \lim_{x\to 1}g(x)=2\).

III. \(f''(x)\lt g''(x)\), qualquer que seja \(x\in ]0,+\infty[\).

Justifique que as proposições I, II e III são falsas.

Proposição I

A igualdade \(\lim_{x\to +\infty}(f(x)-2x+1)=0\) significa que \(\lim_{x\to +\infty}(f(x)-(2x-1))=0\). Logo, a reta \(y=2x-1\) é assíntota oblíqua ao gráfico de \(f\), e não assíntota horizontal.

Proposição II

Como \(r\) é tangente ao gráfico de \(g\) no ponto de abcissa \(1\), esse ponto pertence à reta \(y=2x-1\). Assim, \(g(1)=2\cdot 1-1=1\). Como \(g\) é diferenciável, é contínua, pelo que \(\lim_{x\to 1}g(x)=g(1)=1\), e não \(2\).

Proposição III

O gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima, logo \(f''(x)\ge 0\). O gráfico de \(g\) tem concavidade voltada para baixo, logo \(g''(x)\le 0\). Portanto, em \(]0,+\infty[\), não se pode ter \(f''(x)\lt g''(x)\).

As proposições I, II e III são falsas.