- Para mostrar que uma proposição é falsa, basta apresentar uma razão matemática que a contradiga.
- Verifica primeiro quais são as hipóteses dadas: continuidade, monotonia, assíntotas, sinal de \(f'\) ou concavidade.
- Depois compara essas hipóteses com a conclusão da proposição. Se houver incompatibilidade, essa é a justificação.
- \(f^{\prime}(a)=0\) não garante extremo: em \(f(x)=x^{3}\), \(f^{\prime}(0)=0\) e não há extremo. É preciso que \(f^{\prime}\) mude de sinal.
- \(f^{\prime\prime}(a)=0\) não garante ponto de inflexão: é preciso que \(f^{\prime\prime}\) mude de sinal.
- Continuidade não implica diferenciabilidade: \(f(x)=\left|x\right|\) é contínua em 0 mas não tem derivada nesse ponto.
- O gráfico pode intersetar uma assíntota horizontal ou oblíqua.
- O Teorema de Bolzano garante a existência de pelo menos um zero, não a unicidade; e não se aplica se a função não for contínua no intervalo.
- Negação de quantificadores: a negação de para todo o \(x\), \(P(x)\) é existe \(x\) tal que não \(P(x)\).
1. Zeros de \(f'\), extremos e concavidade
Seja \(f\) uma função polinomial de grau cinco, e seja \(f'\) a primeira derivada da função \(f\). Na figura, está representada, em referencial o.n. \(Oxy\), parte do gráfico da função \(f'\).
Sabe-se que:
- \(-1\), \(0\) e \(3\) são os zeros da função \(f'\);
- \(f'(x)\lt 0 \Leftrightarrow -1\lt x\lt 0\);
- a função \(f'\) é monótona no intervalo \([3,+\infty[\).
Considere as proposições seguintes.
I. A função \(f\) admite três extremos.
II. O gráfico da função \(f\) tem concavidade voltada para baixo no intervalo \(]3,+\infty[\).
Justifique que as proposições I e II são falsas.
A função \(f\) só tem extremo relativo nos zeros de \(f'\) onde há mudança de sinal. Em \(x=-1\), \(f'\) passa de positivo para negativo; em \(x=0\), passa de negativo para positivo. Em \(x=3\), \(f'\) anula-se, mas não muda de sinal.
| \(x\) | \(-\infty\) | \(-1\) | \(0\) | \(3\) | \(+\infty\) | ||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| \(f'\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | \(0\) | \(+\) |
| \(f\) | ↗ | máx. | ↘ | mín. | ↗ | ↗ |
No intervalo \([3,+\infty[\), observa-se que \(f'\) é crescente. Logo, \(f''\ge 0\) nesse intervalo e o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima, não para baixo.
2. Segunda derivada, inflexão e declives
Considere uma função \(f\), de domínio \(\mathbb{R}\), duas vezes diferenciável, e a função \(f''\), segunda derivada da função \(f\).
Sabe-se que:
- \(f''(x)\ge 0 \Leftrightarrow x\ge \dfrac{3}{4}\);
- a função \(f''\) tem exatamente dois zeros: \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\);
- as retas \(r\) e \(s\) são tangentes ao gráfico da função \(f\) nos pontos de abcissas \(-2\) e \(-1\), respetivamente.
Considere as proposições seguintes.
I. O gráfico da função \(f\) tem dois pontos de inflexão, de abcissas \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\).
II. O declive da reta \(r\) é menor do que o declive da reta \(s\).
Justifique que as proposições I e II são falsas.
Como \(f''(x)\ge 0 \Leftrightarrow x\ge \dfrac{3}{4}\) e \(f''\) tem zeros em \(\dfrac{3}{4}\) e em \(3\), o sinal de \(f''\) é negativo antes de \(\dfrac{3}{4}\), positivo entre \(\dfrac{3}{4}\) e \(3\), e positivo depois de \(3\).
| \(x\) | \(-\infty\) | \(\dfrac{3}{4}\) | \(3\) | \(+\infty\) | |
|---|---|---|---|---|---|
| \(f''\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | \(0\) | \(+\) |
| \(f\) | \(\cap\) | P.I. | \(\cup\) | \(\cup\) |
Em \(x=3\), \(f''\) anula-se, mas não muda de sinal. Logo, não há ponto de inflexão com abcissa \(3\).
Proposição IINo intervalo \(]-\infty,\dfrac{3}{4}[\), tem-se \(f''(x)\lt 0\), pelo que \(f'\) é decrescente nesse intervalo. Como \(-2\lt -1\), conclui-se que \(f'(-2)\gt f'(-1)\).
3. Assíntota vertical e tangente impossível
Considere uma função \(f\), de domínio \(\mathbb{R}\), diferenciável em \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\).
Sabe-se que:
- a função \(f\) é crescente em \(]-\infty,1[\) e em \(]1,+\infty[\);
- a reta de equação \(x=1\) é assíntota ao gráfico da função \(f\).
Considere as proposições seguintes.
I. A função \(f\) é contínua em \(x=1\).
II. A reta de equação \(y=-x+2\) é tangente ao gráfico da função \(f\) num ponto de abcissa diferente de \(1\).
Justifique que as proposições I e II são falsas.
Se \(x=1\) é assíntota vertical ao gráfico de \(f\), então pelo menos um dos limites laterais de \(f(x)\), quando \(x\to 1\), é infinito. Assim, esse limite não pode ser igual a \(f(1)\).
A reta \(y=-x+2\) tem declive \(-1\). Mas, como \(f\) é crescente em \(]-\infty,1[\) e em \(]1,+\infty[\), o declive de uma reta tangente ao gráfico de \(f\), num ponto de abcissa diferente de \(1\), não pode ser negativo.
4. Tangente, assíntota e perpendicularidade
Na figura, estão representadas, em referencial o.n. \(Oxy\), parte do gráfico da função \(f\), diferenciável, de domínio \(\mathbb{R}\), a reta \(r\), tangente ao gráfico de \(f\) na origem do referencial, e a reta \(s\), assíntota ao gráfico de \(f\) quando \(x\) tende para \(+\infty\).
Sabe-se que:
- \(I\) é o ponto de intersecção das retas \(r\) e \(s\) e pertence ao 4.º quadrante;
- \(\displaystyle \lim_{x\to 0}\frac{f(x)}{x}\times \lim_{x\to +\infty}\frac{f(x)}{x}=-\frac{8}{9}\).
Considere as proposições seguintes.
I. \(f'(0)\gt 0\).
II. As retas \(r\) e \(s\) são perpendiculares.
Justifique que as proposições I e II são falsas.
A reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(f\) na origem e passa pelo ponto \(I\), que pertence ao 4.º quadrante. Assim, a reta \(r\) tem declive negativo.
Como a reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(f\) na origem, \(f(0)=0\) e o seu declive é
Como \(s\) é assíntota ao gráfico de \(f\) quando \(x\to +\infty\), o declive de \(s\) é
Logo, pela informação dada,
Se duas retas não verticais fossem perpendiculares, o produto dos seus declives teria de ser \(-1\).
5. Derivada crescente, concavidade e extremos
Seja \(f\) uma função, de domínio \(\mathbb{R}^+\), duas vezes diferenciável.
Relativamente à função \(f\), sabe-se que:
- a função \(f'\), derivada da função \(f\), é estritamente crescente no intervalo \(]0,+\infty[\);
- \(f'(1)=2\).
Considere as proposições seguintes.
I. O gráfico da função \(f\) pode ter concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^+\).
II. No intervalo \(]1,5[\), a função \(f\) tem, pelo menos, um extremo.
Justifique que as proposições I e II são falsas.
Como \(f'\) é estritamente crescente em \(]0,+\infty[\), o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima nesse domínio. Portanto, não pode ter concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^+\).
Proposição IIPara \(x\in ]1,5[\), tem-se \(f'(x)\gt f'(1)=2\). Assim, \(f'(x)\gt 0\) em todo o intervalo \(]1,5[\), pelo que \(f\) é estritamente crescente nesse intervalo.
6. Bolzano-Cauchy e assíntota de \(1/f\)
Seja \(f\) uma função de domínio \(\mathbb{R}\).
Sabe-se que:
- para qualquer número real \(a\), \(a\ne 2\), \(\displaystyle \lim_{x\to a} f(x)=f(a)\);
- \(\displaystyle \lim_{x\to 2^+} f(x)=f(2)\), com \(f(2)\gt 0\), e \(\displaystyle \lim_{x\to 2^-} f(x)=-\infty\);
- \(f(1)\times f(3)\lt 0\).
Considere as proposições seguintes.
I. O teorema de Bolzano-Cauchy permite afirmar que a função \(f\) tem, pelo menos, um zero no intervalo \(]1,3[\).
II. A reta de equação \(x=2\) é assíntota ao gráfico da função \(\dfrac{1}{f}\).
Justifique que as proposições I e II são falsas.
O teorema de Bolzano-Cauchy exige que a função seja contínua em \([1,3]\). Mas, em \(x=2\), a função não é contínua, pois os limites laterais não coincidem: à direita o limite é \(f(2)\gt 0\), e à esquerda o limite é \(-\infty\).
Para que \(x=2\) fosse assíntota vertical ao gráfico de \(\frac{1}{f}\), algum dos limites laterais de \(\frac{1}{f(x)}\) teria de ser infinito.
7. Três referenciais impossíveis
Seja \(g\) uma função par, diferenciável, de domínio \(\mathbb{R}\setminus\{-1,1\}\), tal que:
- \(\displaystyle \lim_{x\to 1^-} g(x)=+\infty\);
- \(g(0)\lt 0\);
- \(g'(x)\lt 0,\ \forall x\in ]-\infty,-1[\).
Em cada um dos referenciais o.n. \(Oxy\) seguintes, I, II e III, estão representadas parte do gráfico de uma função e a assíntota a esse gráfico, de equação \(x=-1\).
Justifique que em nenhum dos referenciais, I, II e III, pode estar representada parte do gráfico da função \(g\) em \(]-\infty,0[\setminus\{-1\}\).
Como \(g\) é diferenciável em \(0\), é contínua em \(0\). Logo, \(\lim_{x\to 0^-}g(x)=g(0)\lt 0\). No referencial I, quando \(x\to 0^-\), os valores aproximam-se de uma ordenada positiva.
Referencial IIÉ dado que \(g'(x)\lt 0\) para todo o \(x\in ]-\infty,-1[\). Portanto, nesse intervalo, \(g\) é decrescente. No referencial II, o ramo à esquerda de \(-1\) é crescente.
Referencial IIIComo \(g\) é par, \(g(x)=g(-x)\). Se \(\lim_{x\to 1^-}g(x)=+\infty\), então \(\lim_{x\to -1^+}g(x)=+\infty\). No referencial III, o ramo à direita de \(-1\) tende para \(-\infty\).
8. Assíntota, limite e segunda derivada
Sejam \(f\) e \(g\) funções duas vezes diferenciáveis, de domínios \(\mathbb{R}\) e \(]0,+\infty[\), respetivamente, e seja \(r\) a reta de equação \(y=2x-1\).
Sabe-se que:
- a reta \(r\) é tangente ao gráfico de \(g\) no ponto de abcissa \(1\);
- \(\displaystyle \lim_{x\to +\infty}\bigl(f(x)-2x+1\bigr)=0\);
- nos respetivos domínios, o gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima e o gráfico de \(g\) tem concavidade voltada para baixo.
Considere as proposições seguintes.
I. O gráfico da função \(f\) admite uma assíntota horizontal quando \(x\) tende para \(+\infty\).
II. \(\displaystyle \lim_{x\to 1}g(x)=2\).
III. \(f''(x)\lt g''(x)\), qualquer que seja \(x\in ]0,+\infty[\).
Justifique que as proposições I, II e III são falsas.
A igualdade \(\lim_{x\to +\infty}(f(x)-2x+1)=0\) significa que \(\lim_{x\to +\infty}(f(x)-(2x-1))=0\). Logo, a reta \(y=2x-1\) é assíntota oblíqua ao gráfico de \(f\), e não assíntota horizontal.
Proposição IIComo \(r\) é tangente ao gráfico de \(g\) no ponto de abcissa \(1\), esse ponto pertence à reta \(y=2x-1\). Assim, \(g(1)=2\cdot 1-1=1\). Como \(g\) é diferenciável, é contínua, pelo que \(\lim_{x\to 1}g(x)=g(1)=1\), e não \(2\).
Proposição IIIO gráfico de \(f\) tem concavidade voltada para cima, logo \(f''(x)\ge 0\). O gráfico de \(g\) tem concavidade voltada para baixo, logo \(g''(x)\le 0\). Portanto, em \(]0,+\infty[\), não se pode ter \(f''(x)\lt g''(x)\).