📌 Resumo teórico
O que é a segunda derivada
Se a função derivada \(f'\) for, ela própria, derivável, à derivada de \(f'\) chama-se segunda derivada de \(f\) e representa-se por \(f''\):
Na prática, deriva-se duas vezes seguidas: primeiro obtém-se \(f'\) e só depois se deriva a expressão obtida. Outras notações usuais são \(f^{(2)}\) e \(\dfrac{d^{2}y}{dx^{2}}\).
Regras de derivação (a usar duas vezes)
Sinal da segunda derivada e sentido das concavidades
Seja \(f\) duas vezes derivável num intervalo \(I\):
Repare-se que \(f''\) é a derivada de \(f'\): dizer que \(f''\gt 0\) é dizer que \(f'\) é crescente (a inclinação das retas tangentes vai aumentando) e dizer que \(f''\lt 0\) é dizer que \(f'\) é decrescente.
Pontos de inflexão
Um ponto do gráfico de \(f\) é um ponto de inflexão quando aí o gráfico muda o sentido da concavidade.
Atenção: \(f''(a)=0\) não chega. Se \(f''\) não mudar de sinal em \(a\), não há ponto de inflexão — é o que acontece, por exemplo, com \(f(x)=x^{4}\) em \(x=0\).
Método de trabalho: calcular \(f''\), determinar os seus zeros e fazer um quadro de sinal de \(f''\), lendo nele as concavidades e os pontos de inflexão.
Nota (Aprendizagens Essenciais, janeiro de 2023): o cálculo algébrico da segunda derivada abrange funções polinomiais, racionais, exponenciais, logarítmicas e trigonométricas, com um grau de dificuldade que não ultrapassa o dos exemplos \(f(x)=x^{4}-4x^{3}+7\), \(g(x)=x^{2}\ln x\) e \(h(x)=\dfrac{e^{x}}{x}\).
No estudo das concavidades e dos pontos de inflexão (e nos problemas de otimização), o trabalho restringe-se a funções polinomiais, racionais, exponenciais e logarítmicas e a operações entre estas.
1. Expressões da segunda derivada
Determine uma expressão da segunda derivada de cada uma das funções a seguir definidas.
- 1.1. \(f(x)=x^{3}-x^{2}+\pi x\)
- 1.2. \(g(x)=\dfrac{3x}{x-1}\)
- 1.3. \(h(x)=\sqrt{2x-1}\)
- 1.4. \(i(x)=\operatorname{sen}(2x+1)\)
- 1.5. \(j(x)=x\cos(x)\)
- 1.6. \(k(x)=\tan^{2}(x)\)
- 1.7. \(l(x)=x^{2}\operatorname{sen}(x)\)
- 1.8. \(m(x)=\operatorname{sen}(x)\cos(x)\)
Em todas as alíneas o processo é o mesmo: derivar uma vez para obter a função derivada e derivar de novo a expressão obtida.
1.1. — \(f(x)=x^{3}-x^{2}+\pi x\)\(\pi\) é um número (constante), pelo que \((\pi x)'=\pi\).
Domínio: \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\). Regra do quociente:
Para derivar de novo é mais rápido escrever \(g'(x)=-3\,(x-1)^{-2}\) e usar \(\left(u^{\alpha}\right)'=\alpha\,u^{\alpha-1}u'\), com \(u=x-1\) e \(u'=1\):
Domínio de \(h\): \(2x-1\ge 0 \iff x\ge\dfrac12\). A função é derivável em \(\left]\dfrac12,+\infty\right[\).
Escrevendo \(h'(x)=(2x-1)^{-\frac12}\) e aplicando de novo \(\left(u^{\alpha}\right)'=\alpha\,u^{\alpha-1}u'\), com \(u=2x-1\) e \(u'=2\):
Regra da cadeia, com \(u=2x+1\) e \(u'=2\):
Regra do produto:
Derivando de novo (a segunda parcela volta a ser um produto):
Domínio: \(x\ne\dfrac{\pi}{2}+k\pi,\ k\in\mathbb{Z}\). Como \(\tan^{2}x=\left(\tan x\right)^{2}\), aplica-se \(\left(u^{2}\right)'=2u\,u'\), com \(u=\tan x\) e \(u'=1+\tan^{2}x\):
Agora é um produto. Note-se que \(\left(1+\tan^{2}x\right)'=2\tan x\left(1+\tan^{2}x\right)\):
Pondo \(1+\tan^{2}x\) em evidência:
Usando \(1+\tan^{2}x=\dfrac{1}{\cos^{2}x}\) e \(\tan^{2}x=\dfrac{\operatorname{sen}^{2}x}{\cos^{2}x}\), obtém-se a escrita equivalente
Derivando cada parcela (ambas são produtos):
Regra do produto:
Pela fórmula do cosseno do ângulo duplo, \(\cos^{2}x-\operatorname{sen}^{2}x=\cos(2x)\), pelo que
Em alternativa, sem usar o ângulo duplo, derivava-se \(\cos^{2}x-\operatorname{sen}^{2}x\) diretamente:
São a mesma expressão, porque \(\operatorname{sen}(2x)=2\operatorname{sen} x\cos x\).
2. Concavidades e pontos de inflexão
Seja \(g\) a função derivável, de domínio \(\mathbb{R}\), definida por:
Estude a função \(g\) quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e quanto à existência de pontos de inflexão.
Na sua resposta, apresente:
- o(s) intervalo(s) em que o gráfico da função \(g\) tem concavidade voltada para baixo;
- o(s) intervalo(s) em que o gráfico da função \(g\) tem concavidade voltada para cima;
- as abcissas dos pontos de inflexão do gráfico da função \(g\).
\(\pi\) é uma constante, logo a sua derivada é nula.
Pondo \(12\) em evidência reconhece-se um caso notável:
Como \((x-1)^{2}\ge 0\) para todo o \(x\), tem-se \(g''(x)\gt 0\) para \(x\ne 1\) e \(g''(1)=0\).
| \(x\) | \(-\infty\) | \(1\) | \(+\infty\) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| \(g''(x)\) | \(+\) | \(0\) | \(+\) | ||
| gráfico de \(g\) | \(\smile\) | \(\smile\) | \(\smile\) |
A segunda derivada nunca é negativa, pelo que o gráfico de \(g\) não tem nenhum intervalo com a concavidade voltada para baixo.
Como \(g''(x)\ge 0\) em \(\mathbb{R}\), anulando-se apenas no ponto isolado \(x=1\), o gráfico de \(g\) tem a concavidade voltada para cima em todo o \(\mathbb{R}\).
Em \(x=1\) a segunda derivada anula-se mas não muda de sinal (é positiva antes e depois de \(1\)), logo aí não há mudança do sentido da concavidade.
Concavidade voltada para baixo: em nenhum intervalo.
Concavidade voltada para cima: em \(\mathbb{R}\), isto é, em \(\left]-\infty,+\infty\right[\).
O gráfico de \(g\) não tem pontos de inflexão.
3. Identificar o gráfico da derivada
Considere uma função \(f\), duas vezes derivável em \(\mathbb{R}\), cujo gráfico satisfaz as seguintes condições:
- \(f\) é estritamente crescente em \(\mathbb{R}\);
- o gráfico de \(f\) tem um único ponto de inflexão em \(x=0\) e tem concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^{-}\) e voltada para cima em \(\mathbb{R}^{+}\).
Qual dos seguintes gráficos pode representar a função \(f'\)?
Justifique a sua resposta.
Cada informação dada sobre \(f\) diz-nos alguma coisa sobre o gráfico de \(f'\):
• \(f\) é estritamente crescente em \(\mathbb{R}\) \(\Longrightarrow\) \(f'(x)\ge 0\) para todo o \(x\in\mathbb{R}\).
• concavidade voltada para baixo em \(\mathbb{R}^{-}\) \(\Longrightarrow\) \(f''\lt 0\) em \(\mathbb{R}^{-}\) \(\Longrightarrow\) \(f'\) é decrescente em \(\mathbb{R}^{-}\).
• concavidade voltada para cima em \(\mathbb{R}^{+}\) \(\Longrightarrow\) \(f''\gt 0\) em \(\mathbb{R}^{+}\) \(\Longrightarrow\) \(f'\) é crescente em \(\mathbb{R}^{+}\).
• ponto de inflexão em \(x=0\) \(\Longrightarrow\) \(f'\) passa de decrescente a crescente em \(x=0\), ou seja, \(f'\) tem aí um mínimo.
Em resumo, o gráfico de \(f'\) tem de estar sempre acima (ou sobre) o eixo \(Ox\), descer até \(x=0\) e subir a partir de \(x=0\).
Passo 2 — analisar cada opção(A) \(f'\) seria constante, logo \(f''=0\) em \(\mathbb{R}\): o gráfico de \(f\) seria uma reta, sem concavidades nem ponto de inflexão. Não serve.
(B) \(f'\) é crescente em todo o \(\mathbb{R}\), logo \(f''\gt 0\) em \(\mathbb{R}\) e a concavidade estaria voltada para cima em todo o domínio (sem ponto de inflexão). Além disso \(f'(x)\lt 0\) para \(x\lt 0\), o que contraria \(f\) ser crescente. Não serve.
(C) \(f'\) é decrescente em \(\mathbb{R}^{-}\), crescente em \(\mathbb{R}^{+}\) e tem mínimo em \(x=0\); além disso \(f'(x)\ge 0\) para todo o \(x\). Verifica todas as condições. Serve.
(D) \(f'(x)\lt 0\) para \(x\lt 0\), pelo que \(f\) seria decrescente em \(\mathbb{R}^{-}\), contrariando o enunciado. Não serve.
4. Que gráfico é o de \(g''\)?
Na figura, está representada, em referencial ortogonal \(Oxy\), parte do gráfico de uma função polinomial \(g\).
A função \(g\) tem um ponto de inflexão em \(\dfrac{1}{3}\).
Em qual das opções pode estar representada graficamente a função \(g''\), segunda derivada da função \(g\)?
À esquerda de \(\frac13\) a curva sobe, mas vai perdendo inclinação até ficar quase horizontal: o declive das retas tangentes está a diminuir, ou seja, \(g'\) é decrescente. A concavidade está voltada para baixo.
À direita de \(\frac13\) a curva volta a subir cada vez mais depressa: o declive das tangentes aumenta, \(g'\) é crescente e a concavidade está voltada para cima.
Confirma-se assim que \(\frac13\) é a abcissa do (único) ponto de inflexão: é aí que a concavidade muda de sentido.
Passo 2 — traduzir para o sinal de \(g''\)• concavidade para baixo em \(\left]-\infty,\frac13\right[\) \(\Longrightarrow\) \(g''(x)\lt 0\) nesse intervalo;
• ponto de inflexão em \(x=\frac13\) \(\Longrightarrow\) \(g''\!\left(\frac13\right)=0\);
• concavidade para cima em \(\left]\frac13,+\infty\right[\) \(\Longrightarrow\) \(g''(x)\gt 0\) nesse intervalo.
Procura-se, portanto, um gráfico que esteja abaixo do eixo \(Ox\), o corte uma única vez (num valor positivo, \(\frac13\)) e fique depois acima do eixo. Em resumo: \(g''\) muda de sinal de \(-\) para \(+\), e só uma vez.
Passo 3 — analisar cada opção(A) A parábola corta o eixo \(Ox\) em dois pontos, pelo que \(g''\) mudaria de sinal duas vezes: o gráfico de \(g\) teria dois pontos de inflexão. Não serve.
(B) A reta está acima do eixo antes do seu zero e abaixo depois: \(g''\) passaria de positiva a negativa, isto é, a concavidade passaria de cima para baixo — exatamente ao contrário do que a figura mostra. Não serve.
(C) A reta tem declive positivo e um único zero, num valor positivo: \(g''\lt 0\) antes desse zero e \(g''\gt 0\) depois. É precisamente o que se pretende. Serve.
(D) A parábola corta o eixo \(Ox\) em dois pontos e, além disso, é positiva apenas entre eles: haveria dois pontos de inflexão e a concavidade acabaria voltada para baixo. Não serve.
Há ainda um argumento mais rápido: a figura sugere que \(g\) é uma função do 3.º grau; nesse caso \(g'\) é do 2.º grau e \(g''\) é uma função afim, cujo gráfico é uma reta. Isso deixa logo de fora (A) e (D).
5. Concavidades a partir da expressão de \(g'\)
Considere a função \(g\), duas vezes derivável em \(\mathbb{R}^{+}\), cuja função derivada, também de domínio \(\mathbb{R}^{+}\), é definida por
Estude a função \(g\) quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e quanto à existência de pontos de inflexão.
Como \(g''=\left(g'\right)'\), basta derivar a expressão dada, pela regra do quociente, com \(u=1+\ln x\) (logo \(u'=\frac{1}{x}\)) e \(v=x\) (logo \(v'=1\)):
Uma fração é nula quando o numerador é nulo (o denominador nunca se anula em \(\mathbb{R}^{+}\)):
E \(1\in\mathbb{R}^{+}\), pelo que é um candidato a abcissa de ponto de inflexão.
Passo 3 — quadro de sinal de \(g''\)Em \(\mathbb{R}^{+}\) tem-se \(x^{2}\gt 0\), pelo que o sinal de \(g''\) é o sinal de \(-\ln x\). Ora \(\ln x\lt 0\) para \(0\lt x\lt 1\) e \(\ln x\gt 0\) para \(x\gt 1\), logo \(-\ln x\) tem os sinais trocados.
| \(x\) | \(0\) | \(1\) | \(+\infty\) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| \(-\ln x\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | ||
| \(x^{2}\) | \(+\) | \(+\) | \(+\) | ||
| \(g''(x)\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | ||
| gráfico de \(g\) | \(\smile\) | P.I. | \(\frown\) |
A segunda derivada anula-se em \(x=1\) e muda de sinal (de \(+\) para \(-\)), pelo que aí o gráfico muda o sentido da concavidade.
O gráfico de \(g\) tem a concavidade voltada para cima em \(\left]0,\,1\right]\) e voltada para baixo em \(\left[1,\,+\infty\right[\).
Tem um único ponto de inflexão, de abcissa \(1\).
Nota: o enunciado dá apenas \(g'\), pelo que não se conhece \(g(1)\) — indica-se só a abcissa do ponto de inflexão. (De facto, \(g(x)=\frac{1}{2}\ln^{2}x+\ln x+c\), com \(c\) arbitrário: há uma infinidade de funções \(g\) nas condições do enunciado, todas com ponto de inflexão em \(x=1\).)
6. Sinal de produtos com \(f'\) e \(f''\)
Na figura, está representado, em referencial ortogonal \(Oxy\), parte do gráfico de uma função polinomial \(f\).
A função \(f\) tem um ponto de inflexão em \(0\).
Qual das opções representa um número real positivo?
- (A) \(f'(0)\times f''(0)\)
- (C) \(f''(-1)\times f''(1)\)
- (B) \(f''(1)\times f(1)\)
- (D) \(f'(0)\times f'(1)\)
• \(f\) tem um máximo relativo num ponto de abcissa negativa e um mínimo relativo num ponto de abcissa positiva; entre essas duas abcissas \(f\) é decrescente. Como \(0\) está entre elas, \(f'(0)\lt 0\).
• \(0\) é a abcissa do ponto de inflexão, logo \(f''(0)=0\).
• À esquerda de \(0\) a concavidade está voltada para baixo e à direita para cima; como o ponto de inflexão é único, \(f''(x)\lt 0\) para \(x\lt 0\) e \(f''(x)\gt 0\) para \(x\gt 0\).
• Para \(x\gt 0\) o gráfico está acima do eixo \(Ox\) — mesmo no mínimo relativo —, logo \(f(1)\gt 0\).
(A) \(f''(0)=0\), pelo que \(f'(0)\times f''(0)=0\). O zero não é um número positivo. Não serve.
(B) Como \(1\gt 0\), tem-se \(f''(1)\gt 0\); e, pelo gráfico, \(f(1)\gt 0\). O produto de dois números positivos é positivo. Serve.
(C) \(f''(-1)\lt 0\) (à esquerda do ponto de inflexão) e \(f''(1)\gt 0\) (à direita): o produto é negativo. Não serve.
(D) \(f'(0)\lt 0\). O produto só seria positivo se também fosse \(f'(1)\lt 0\), isto é, se \(x=1\) ainda estivesse entre as abcissas dos dois extremos relativos. Mas o mínimo relativo está pouco à direita da origem, pelo que em \(x=1\) a função já é crescente e \(f'(1)\gt 0\): o produto é negativo. Não serve.
Repare-se que a opção (B) é a única que se pode garantir sem saber onde exatamente se situam os extremos: à direita do ponto de inflexão a concavidade está voltada para cima e o gráfico está acima do eixo \(Ox\), e isso basta.
7. Concavidades de \(x^{2}e^{x}\)
Considere a função \(g\), definida em \(\mathbb{R}\), por \(g(x)=x^{2}e^{x}\).
Estude a função \(g\) quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e quanto à existência de pontos de inflexão.
Regra do produto, com \(\left(e^{x}\right)'=e^{x}\):
Deriva-se de novo, também pela regra do produto:
Como \(e^{x}\gt 0\) para todo o \(x\in\mathbb{R}\), o produto só se anula quando se anula o outro fator:
Ou seja, \(x=-2-\sqrt{2}\approx -3{,}41\) ou \(x=-2+\sqrt{2}\approx -0{,}59\).
Passo 4 — quadro de sinal de \(g''\)O sinal de \(g''\) é o sinal do polinómio \(x^{2}+4x+2\), cujo gráfico é uma parábola com a concavidade voltada para cima: é positivo fora das raízes e negativo entre elas.
| \(x\) | \(-\infty\) | \(-2-\sqrt{2}\) | \(-2+\sqrt{2}\) | \(+\infty\) | |||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| \(x^{2}+4x+2\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | ||
| \(e^{x}\) | \(+\) | \(+\) | \(+\) | \(+\) | \(+\) | ||
| \(g''(x)\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | ||
| gráfico de \(g\) | \(\smile\) | P.I. | \(\frown\) | P.I. | \(\smile\) |
Em ambos os zeros a segunda derivada muda de sinal, pelo que em ambos há mudança do sentido da concavidade.
Concavidade voltada para cima em \(\left]-\infty,\,-2-\sqrt{2}\right]\) e em \(\left[-2+\sqrt{2},\,+\infty\right[\).
Concavidade voltada para baixo em \(\left[-2-\sqrt{2},\,-2+\sqrt{2}\right]\).
Dois pontos de inflexão, de abcissas \(-2-\sqrt{2}\) e \(-2+\sqrt{2}\).
As ordenadas, caso sejam pedidas, obtêm-se de \(\left(-2\pm\sqrt{2}\right)^{2}=6\pm 4\sqrt{2}\):
8. Resolver \(f'(x)\times f''(x)\gt 0\)
Na figura, está representado, em referencial ortogonal \(Oxy\), parte do gráfico de uma função polinomial \(f\).
A função \(f\) tem um ponto de inflexão em \(-1\) e tem extremos relativos em \(x=-2\) e em \(x=0\).
Determine o conjunto-solução da condição \(f'(x)\times f''(x)\gt 0\).
Um produto é positivo quando os dois fatores têm o mesmo sinal. Trata-se, portanto, de determinar separadamente o sinal de \(f'\) e o sinal de \(f''\) e depois cruzá-los num quadro.
Passo 1 — sinal de \(f'\) (dado pela monotonia de \(f\))Do gráfico: \(f\) é crescente em \(\left]-\infty,-2\right]\), decrescente em \(\left[-2,0\right]\) e crescente em \(\left[0,+\infty\right[\). Nos extremos relativos a derivada anula-se.
\(f'(x)\gt 0 \iff x\in\left]-\infty,-2\right[\cup\left]0,+\infty\right[\) ; \(\quad f'(x)\lt 0 \iff x\in\left]-2,0\right[\) ; \(\quad f'(-2)=f'(0)=0\)
O gráfico tem um único ponto de inflexão, de abcissa \(-1\): antes dele a concavidade está voltada para baixo e depois para cima.
\(f''(x)\lt 0 \iff x\in\left]-\infty,-1\right[\) ; \(\quad f''(x)\gt 0 \iff x\in\left]-1,+\infty\right[\) ; \(\quad f''(-1)=0\)
| \(x\) | \(-\infty\) | \(-2\) | \(-1\) | \(0\) | \(+\infty\) | ||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| \(f'(x)\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | \(-\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | ||
| \(f''(x)\) | \(-\) | \(-\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | \(+\) | \(+\) | ||
| \(f'(x)\times f''(x)\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | \(0\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) |
O produto é positivo em dois intervalos:
• em \(\left]-2,-1\right[\), onde \(f'\lt 0\) e \(f''\lt 0\) (\(f\) decrescente com concavidade para baixo);
• em \(\left]0,+\infty\right[\), onde \(f'\gt 0\) e \(f''\gt 0\) (\(f\) crescente com concavidade para cima).
Os pontos \(-2\), \(-1\) e \(0\) ficam de fora porque aí um dos fatores é nulo e o produto é \(0\), não sendo positivo.
9. Concavidades a partir do gráfico de \(f'\)
Considere a função \(f\), duas vezes derivável em \(\mathbb{R}\), cuja função derivada está representada, em referencial cartesiano \(Oxy\), na figura.
Como a figura sugere, a função \(f'\):
- tem um único zero em \(x=2\);
- tem um único extremo absoluto em \(x=1\).
Estude a função \(f\) quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e quanto à existência de pontos de inflexão.
As concavidades do gráfico de \(f\) dependem do sinal de \(f''\). Como \(f''=\left(f'\right)'\), o sinal de \(f''\) é dado pela monotonia de \(f'\):
\(f'\) crescente \(\iff f''\gt 0 \iff\) concavidade voltada para cima;
\(f'\) decrescente \(\iff f''\lt 0 \iff\) concavidade voltada para baixo.
Atenção: o que interessa neste estudo é se o gráfico de \(f'\) sobe ou desce, e não se está acima ou abaixo do eixo \(Ox\). O zero de \(f'\) em \(x=2\) diz respeito aos extremos de \(f\), não às concavidades — é um erro frequente usá-lo aqui.
Passo 2 — monotonia de \(f'\)A figura mostra que \(f'\) desce até \(x=1\) e sobe a partir de \(x=1\), onde tem o seu mínimo absoluto. Como \(f'\) é derivável (\(f\) é duas vezes derivável), nesse mínimo a sua derivada anula-se: \(f''(1)=0\).
Passo 3 — quadro de sinal de \(f''\)| \(x\) | \(-\infty\) | \(1\) | \(+\infty\) | ||
|---|---|---|---|---|---|
| \(f'(x)\) | \(\searrow\) | mín. | \(\nearrow\) | ||
| \(f''(x)\) | \(-\) | \(0\) | \(+\) | ||
| gráfico de \(f\) | \(\frown\) | P.I. | \(\smile\) |
A segunda derivada anula-se em \(x=1\) e muda de sinal, de \(-\) para \(+\): há mudança do sentido da concavidade.
O gráfico de \(f\) tem a concavidade voltada para baixo em \(\left]-\infty,\,1\right]\) e voltada para cima em \(\left[1,\,+\infty\right[\).
Tem um único ponto de inflexão, de abcissa \(1\).
Só a título de comparação (não era pedido): como \(f'(x)\lt 0\) para \(x\lt 2\) e \(f'(x)\gt 0\) para \(x\gt 2\), a função \(f\) é decrescente em \(\left]-\infty,2\right]\), crescente em \(\left[2,+\infty\right[\) e tem um mínimo em \(x=2\) — que nada tem a ver com o ponto de inflexão em \(x=1\).