📌 Resumo teórico
A regra de L'Hôpital
Sejam \(f\) e \(g\) funções deriváveis numa vizinhança de \(a\) (podendo \(a\) ser \(+\infty\) ou \(-\infty\)), com \(g'(x)\ne 0\). Se
então, desde que o segundo limite exista,
Deriva-se o numerador e o denominador separadamente — não se deriva a fração com a regra do quociente. Se o novo limite continuar indeterminado, pode aplicar-se de novo a regra.
Cuidado — quando é que a regra não se pode usar:
• Só se aplica às indeterminações \(\dfrac{0}{0}\) e \(\dfrac{\infty}{\infty}\). Se o limite não for indeterminado, aplicá-la conduz normalmente a um resultado errado.
• As indeterminações \(\infty-\infty\) e \(0\times\infty\) têm de ser transformadas num quociente antes de a regra poder ser usada.
• Muitas vezes não é sequer aconselhável usá-la: uma simplificação, uma fatorização ou um limite notável resolvem o limite mais depressa.
Indeterminações e técnicas de cálculo simples
- \(\dfrac{0}{0}\) com polinómios: fatorizar e simplificar.
- \(\dfrac{\infty}{\infty}\) com polinómios: pôr em evidência a maior potência.
- \(\infty-\infty\): pôr em evidência ou reduzir ao mesmo denominador.
- \(0\times\infty\): passar um dos fatores para o denominador, ficando \(\frac00\) ou \(\frac{\infty}{\infty}\).
- Com raízes: multiplicar pelo conjugado.
- Com \(\operatorname{sen}\), \(e^{x}\) ou \(\ln\): usar os limites notáveis.
Limites notáveis
Limites que não são indeterminados
Antes de qualquer técnica, convém substituir e ver o que dá. Recorde-se, com \(k\ne 0\):
Nota (Aprendizagens Essenciais, janeiro de 2023): pretende-se «estudar o limite de funções que conduzem a indeterminações do tipo \(\dfrac{0}{0}\) e \(\dfrac{\infty}{\infty}\), aplicando a Regra de L'Hôpital, usando limites notáveis ou técnicas de cálculo simples», bem como conhecer as condições em que a regra não é aplicável e os casos em que o seu uso não é aconselhável.
1. Limites sem indeterminação
Calcule cada um dos seguintes limites.
- 1.1. \(\displaystyle\lim_{x\to 3}\,(2x-1)\)
- 1.2. \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{-}}\frac{x}{x-1}\)
- 1.3. \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{-}}\frac{2}{1-x}\)
- 1.4. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{1}{x+1}\)
- 1.5. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{3}{1-x}\)
- 1.6. \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}x^{2026}\)
- 1.7. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\left(x+x^{2}\right)\)
- 1.8. \(\displaystyle\lim_{x\to 0^{-}}\frac{-x^{2}}{x^{3}}\)
- 1.9. \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}\left(x^{2}+x\right)\)
- 1.10. \(\displaystyle\lim_{x\to \frac{\pi}{2}^{-}}\frac{x}{\cos(x)}\)
Nenhum destes limites é indeterminado: basta substituir e usar as regras dos limites. O que importa em vários deles é o sinal com que o denominador tende para zero.
1.1.Quando \(x\to 1^{-}\), tem-se \(x\lt 1\), logo \(x-1\to 0^{-}\). O numerador tende para \(1\gt 0\):
Agora o denominador é \(1-x\): se \(x\lt 1\), então \(1-x\gt 0\), ou seja, \(1-x\to 0^{+}\).
Como \(x\to +\infty\), tem-se \(1-x\to -\infty\):
O expoente \(2026\) é par, pelo que \(x^{2026}\gt 0\) para \(x\ne 0\).
Antes de substituir, simplifica-se a fração:
Quando \(x\to 0^{-}\), tem-se \(\dfrac1x\to -\infty\), logo \(-\dfrac1x\to +\infty\).
Aqui aparece \(+\infty-\infty\). Põe-se \(x^{2}\) em evidência:
De outro modo: num polinómio, o limite em \(\pm\infty\) é o do termo de maior grau, \(\displaystyle\lim_{x\to-\infty}x^{2}=+\infty\).
O numerador tende para \(\dfrac{\pi}{2}\gt 0\). Para \(x\lt\dfrac{\pi}{2}\) (no 1.º quadrante) tem-se \(\cos x\gt 0\), logo \(\cos x\to 0^{+}\).
2. Limites com a regra de L'Hôpital
Calcule, recorrendo à regra de L'Hôpital sempre que necessário, os seguintes limites.
- 2.1. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{x^{2}+3x}{2x+1}\)
- 2.2. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{4}{1+x}\)
- 2.3. \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}\left(\frac{x}{x^{2}+1}-x\right)\)
- 2.4. \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}\left(x^{2}+x\right)\)
- 2.5. \(\displaystyle\lim_{x\to 1}\frac{2x-2}{x^{2}-1}\)
- 2.6. \(\displaystyle\lim_{x\to -2}\frac{x^{2}-4}{x-2}\)
- 2.7. \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{\sqrt{x-4}}{x^{2}}\)
- 2.8. \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{x-1}{\sqrt{x^{2}}}\)
- 2.9. \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{\operatorname{sen}(1-x)}{x^{2}}\)
- 2.10. \(\displaystyle\lim_{x\to \pi}\frac{\operatorname{sen}^{2}(x)}{(x-\pi)^{2}}\)
- 2.11. \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{\sqrt{1+\operatorname{sen}(x)}-1}{x}\)
Em cada alínea começa-se por substituir, para ver se há mesmo indeterminação. Só quando ela é do tipo \(\frac{0}{0}\) ou \(\frac{\infty}{\infty}\) é que a regra de L'Hôpital (RLH) pode ser aplicada.
2.1.Substituindo: \(\dfrac{+\infty}{+\infty}\) — indeterminação. Aplica-se a RLH:
Sem a regra: \(\dfrac{x^{2}+3x}{2x+1}=\dfrac{x^{2}\left(1+\frac3x\right)}{x\left(2+\frac1x\right)}=\dfrac{x\left(1+\frac3x\right)}{2+\frac1x}\to\dfrac{+\infty\times 1}{2}=+\infty\).
Substituindo: \(\dfrac{4}{+\infty}\). Não há indeterminação — não se usa a regra de L'Hôpital.
Trata-se de uma soma, não de um quociente. Calcula-se o limite de cada parcela:
Como uma parcela tende para \(0\) e a outra para \(+\infty\), não há indeterminação:
Indeterminação \(\infty-\infty\): a regra de L'Hôpital não se aplica diretamente. Põe-se \(x^{2}\) em evidência:
Substituindo: \(\dfrac{0}{0}\).
Sem a regra, fatorizando: \(\dfrac{2(x-1)}{(x-1)(x+1)}=\dfrac{2}{x+1}\to\dfrac{2}{2}=1\).
Atenção: \(x\to -2\) e não \(x\to 2\). Substituindo:
Não há indeterminação — a regra de L'Hôpital não deve ser usada. (Se fosse aplicada, dava \(\lim\frac{2x}{1}=-4\), que está errado.)
Substituindo: \(\dfrac{+\infty}{+\infty}\). Com \(\left(\sqrt{u}\right)'=\dfrac{u'}{2\sqrt{u}}\):
De facto \(4x\sqrt{x-4}\to+\infty\), logo o quociente tende para \(0\).
Note-se que \(\sqrt{x^{2}}=|x|\), que é sempre positivo (para \(x\ne 0\)). Assim, quando \(x\to 0\), o denominador tende para \(0^{+}\) e o numerador para \(-1\):
Não há indeterminação, pelo que não se usa a regra de L'Hôpital.
Cuidado com o numerador: quando \(x\to 0\), \(\operatorname{sen}(1-x)\to\operatorname{sen}(1)\approx 0{,}84\ne 0\). E \(x^{2}\to 0^{+}\).
Não é uma indeterminação — a regra de L'Hôpital não se aplica.
Substituindo: \(\dfrac{\operatorname{sen}^{2}\pi}{0}=\dfrac{0}{0}\). Aplicando a RLH:
Continua a dar \(\dfrac{0}{0}\), pelo que se aplica a regra uma segunda vez:
Em alternativa, com o limite notável: fazendo \(y=x-\pi\) (com \(y\to 0\)) e usando \(\operatorname{sen}(y+\pi)=-\operatorname{sen} y\),
Substituindo: \(\dfrac{\sqrt{1+0}-1}{0}=\dfrac{0}{0}\). Aplicando a RLH, com \(\left(\sqrt{u}\right)'=\dfrac{u'}{2\sqrt{u}}\) e \(u=1+\operatorname{sen} x\):
3. Comentar uma resolução
O Tiago pretende calcular o seguinte limite:
A seguir, apresenta-se a sua resolução.
Comente a resolução do Tiago.
O Tiago identificou corretamente a indeterminação: quando \(x\to +\infty\), o numerador e o denominador tendem ambos para \(+\infty\), pelo que se obtém \(\dfrac{\infty}{\infty}\). Nessas condições, a regra de L'Hôpital é aplicável.
Onde está o erroO erro está na aplicação da regra. O Tiago derivou a fração toda, usando a regra do quociente:
Mas a regra de L'Hôpital não manda derivar o quociente: manda derivar o numerador e o denominador separadamente.
Neste caso nem era preciso a regra: bastava dividir termo a termo, o que é bem mais simples.
A resolução está errada: o Tiago aplicou mal a regra de L'Hôpital, derivando o quociente em vez de derivar separadamente o numerador e o denominador.
O valor do limite é \(2\) e não \(0\).
4. Continuidade num ponto
Considere a função \(f\) definida, para um número real \(k\), por:
Determine o valor de \(k\) para que a função \(f\) seja contínua em \(x=0\).
\(f\) é contínua em \(x=0\) se e só se o limite de \(f\) nesse ponto existir e for igual à imagem:
Substituindo, obtém-se \(\dfrac{0-\operatorname{sen} 0}{0^{3}}=\dfrac{0}{0}\). Aplica-se a regra de L'Hôpital:
Continua a dar \(\dfrac{0}{0}\), logo aplica-se de novo:
Aqui pode usar-se o limite notável \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{\operatorname{sen} x}{x}=1\):
(Aplicando a regra uma terceira vez chegava-se ao mesmo: \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{\cos x}{6}=\frac16\).)
Passo 3 — determinar \(k\)5. Problema — população de coelhos
Numa certa região, uma doença está a afetar gravemente os coelhos que lá vivem. Em consequência dessa doença, o número de coelhos existentes está a diminuir.
Admita que o número, em milhares, de coelhos existentes nessa região, \(t\) semanas após a doença ter sido detetada, é dado, aproximadamente, por:
- 5.1. Qual foi a redução do número de coelhos nas primeiras três semanas após a doença ter sido detetada?
- 5.2. Determine \(\displaystyle\lim_{t\to +\infty}f(t)\) e interprete o resultado no contexto do problema.
A doença foi detetada no instante \(t=0\):
Três semanas depois, \(t=3\):
Como os valores estão em milhares, a redução foi de \(6\) milhares de coelhos.
Substituindo, obtém-se \(\dfrac{+\infty}{+\infty}\). Aplicando a regra de L'Hôpital:
Sem a regra, pondo \(t\) em evidência: \(\dfrac{t\left(14{,}5+\frac{22{,}5}{t}\right)}{t\left(1+\frac1t\right)}=\dfrac{14{,}5+\frac{22{,}5}{t}}{1+\frac1t}\to\dfrac{14{,}5}{1}=14{,}5\).
5.2. — interpretaçãoA reta de equação \(y=14{,}5\) é assíntota horizontal do gráfico de \(f\). Como \(f\) é decrescente e os seus valores se aproximam de \(14{,}5\) por valores superiores, a população vai diminuindo mas nunca desce abaixo dos \(14\,500\) coelhos.
\(\displaystyle\lim_{t\to +\infty}f(t)=14{,}5\)
A longo prazo, o número de coelhos da região tende a estabilizar em \(14\,500\) — segundo o modelo, a população continua a diminuir, mas aproxima-se desse valor sem nunca o atingir.
6. Continuidade e limite em \(-\infty\)
Seja \(f\) a função, de domínio \(\mathbb{R}\), definida por
- 6.1. Averigue se a função é contínua em \(x=1\).
- 6.2. Determine o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty} f(x)\).
Em \(x=1\) há mudança de ramo. É preciso comparar \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{-}} f(x)\), \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{+}} f(x)\) e \(f(1)\).
6.1. — imagem e limite à direitaPara \(x\geqslant 1\) a expressão é \(\dfrac{x+1}{e}\), contínua:
Substituindo em \(\dfrac{x^{3}-x}{e^{x}-e}\) obtém-se \(\dfrac{1-1}{e-e}=\dfrac{0}{0}\): indeterminação. Aplica-se a regra de L'Hôpital (derivando numerador e denominador separadamente):
Sem L'Hôpital chegava-se ao mesmo, com o limite notável \(\displaystyle\lim_{y\to 0}\frac{e^{y}-1}{y}=1\). Escrevendo \(x^{3}-x=x(x-1)(x+1)\) e \(e^{x}-e=e\left(e^{x-1}-1\right)\), e fazendo \(y=x-1\):
Para \(x\to -\infty\) usa-se o primeiro ramo. Analisam-se numerador e denominador separadamente:
• Numerador: \(x^{3}-x=x^{3}\left(1-\frac{1}{x^{2}}\right)\to(-\infty)\times 1=-\infty\).
• Denominador: \(e^{x}\to 0\) quando \(x\to -\infty\), logo \(e^{x}-e\to 0-e=-e\).
Não há indeterminação — o denominador tende para uma constante não nula:
7. Determinar \(k\) com um limite notável
Seja \(g\) a função, de domínio \(\mathbb{R}\), definida por
em que \(k\) é um número real.
Determine o valor de \(k\) para o qual a função \(g\) é contínua em \(x=0\).
Para \(x\geqslant 0\) a função é constante e igual a \(k\), pelo que \(g(0)=k\) e \(\displaystyle\lim_{x\to 0^{+}} g(x)=k\). A continuidade em \(0\) reduz-se, portanto, a
Pela fórmula de redução \(\cos\left(\frac{\pi}{2}+\alpha\right)=-\operatorname{sen}(\alpha)\), com \(\alpha=2x\):
Este é o passo decisivo: transforma um limite aparentemente complicado num limite notável.
Passo 3 — calcular o limite à esquerdaSubstituindo, obtém-se a indeterminação \(\frac{0}{0}\). Multiplica-se e divide-se por \(2\) para fazer aparecer \(\dfrac{\operatorname{sen}(2x)}{2x}\):
(usou-se \(\displaystyle\lim_{y\to 0}\frac{\operatorname{sen} y}{y}=1\), com \(y=2x\to 0\)).
Em alternativa, por L'Hôpital: \(\displaystyle\lim_{x\to 0^{-}}\frac{-2\cos(2x)}{1}=-2\).
Passo 4 — conclusão8. Limite de \(\dfrac{\log_{3}\left(x^{3}\right)}{x}\)
Qual é o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{\log_{3}\left(x^{3}\right)}{x}\)?
- (A) \(0\)
- (B) \(1\)
- (C) \(3\)
- (D) \(+\infty\)
A constante \(3\) sai para fora do limite e fica exatamente o limite notável \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{\log_{a} x}{x^{p}}=0\), com \(p=1\):
Em alternativa, por L'Hôpital (é uma indeterminação \(\frac{\infty}{\infty}\)), com \(\left(\log_{3}x\right)'=\dfrac{1}{x\ln 3}\):
9. Limite de \(\dfrac{2x+\log(3x)}{x}\)
Qual é o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{2x+\log(3x)}{x}\)?
- (A) \(0\)
- (B) \(1\)
- (C) \(2\)
- (D) \(+\infty\)
É uma indeterminação \(\frac{\infty}{\infty}\). Em vez de derivar, é mais simples dividir cada parcela por \(x\):
Usando \(\log(3x)=\log 3+\log x\):
(a primeira parcela é uma constante a dividir por \(+\infty\); a segunda é o limite notável \(\frac{\log_{a}x}{x^{p}}\to 0\)).
Passo 3 — conclusão10. Uma indeterminação \(\frac{0}{0}\) com exponencial
Qual é o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to 3}\frac{3e^{3}-x\,e^{x}}{x^{2}-9}\)?
- (A) \(-\dfrac{2}{3}e^{3}\)
- (B) \(1\)
- (C) \(2\)
- (D) \(+\infty\)
Trata-se de uma indeterminação \(\frac{0}{0}\) num quociente: pode aplicar-se a regra de L'Hôpital.
Passo 2 — derivar numerador e denominadorNo numerador, \(3e^{3}\) é uma constante (derivada nula) e \(x\,e^{x}\) deriva-se pela regra do produto:
Erro a evitar: derivar \(3e^{3}\) como se fosse uma exponencial. Como não há \(x\), é apenas um número.
11. Determinar \(k\) em \(\dfrac{\operatorname{sen}(kx)}{3x}\)
Seja \(k\) um número real diferente de \(0\).
Qual é o valor de \(k\) para o qual se tem \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{\operatorname{sen}(kx)}{3x}=2\)?
- (A) \(\dfrac{1}{6}\)
- (B) \(\dfrac{2}{3}\)
- (C) \(2\)
- (D) \(6\)
O limite notável é \(\displaystyle\lim_{y\to 0}\frac{\operatorname{sen} y}{y}=1\): dentro do seno está \(kx\), pelo que é preciso ter \(kx\) também no denominador. Multiplica-se e divide-se por \(k\) (possível, porque \(k\neq 0\)):
Quando \(x\to 0\) também \(kx\to 0\), logo \(\dfrac{\operatorname{sen}(kx)}{kx}\to 1\):
Por L'Hôpital obtinha-se o mesmo de imediato: \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{k\cos(kx)}{3}=\frac{k}{3}\).
12. Continuidade e limites no infinito
Seja \(f\) a função definida por
- 12.1. Averigue se a função \(f\) é contínua em \(x=0\).
- 12.2. Determine o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty} f(x)\) e de \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty} f(x)\).
Nota sobre o domínio: no segundo ramo o denominador anula-se em \(x=1\) (e o numerador vale \(\log 2\neq 0\)), pelo que \(f\) não está definida nesse ponto. O domínio é, rigorosamente, \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\). Isso não afeta nenhuma das duas alíneas.
Como \(0\leqslant 0\), é o primeiro ramo que dá a imagem. Essa expressão é contínua (quociente de funções contínuas, com \(e^{x}+1\gt 0\)):
Agora usa-se o segundo ramo. Não há indeterminação: \(\log\left(0+1\right)=\log 1=0\) e \(0-1=-1\neq 0\).
Usa-se o primeiro ramo. Analisando separadamente:
• Numerador: \(x^{3}+x-2=x^{3}\left(1+\frac{1}{x^{2}}-\frac{2}{x^{3}}\right)\to(-\infty)\times 1=-\infty\).
• Denominador: \(e^{x}\to 0\), logo \(e^{x}+1\to 1\).
Usa-se o segundo ramo. Trata-se de uma indeterminação \(\frac{\infty}{\infty}\), mas com um logaritmo no numerador e um polinómio de grau \(4\) no denominador — e o logaritmo cresce muito mais devagar:
\(\displaystyle\lim_{x\to -\infty} f(x)=-\infty\)
\(\displaystyle\lim_{x\to +\infty} f(x)=0\)
O segundo limite mostra ainda que a reta de equação \(y=0\) (o eixo \(Ox\)) é assíntota horizontal ao gráfico de \(f\) em \(+\infty\).
13. Limite com um parâmetro
Seja \(k\) um número real diferente de \(0\).
Qual é o valor de \(\displaystyle\lim_{x\to k}\frac{k\ln(x+1-k)}{x^{2}-k^{2}}\)?
- (A) \(\dfrac{1}{4}\)
- (B) \(\dfrac{1}{2}\)
- (C) \(1\)
- (D) \(2\)
Substituindo \(x\) por \(k\):
Indeterminação \(\frac{0}{0}\).
Passo 2 — regra de L'HôpitalDerivando em ordem a \(x\) (o parâmetro \(k\) é constante), com \(\left(\ln u\right)'=\frac{u'}{u}\) e \(u=x+1-k\), \(u'=1\):
(a simplificação \(\frac{k}{2k}=\frac{1}{2}\) só é possível porque \(k\neq 0\) — daí a condição do enunciado).
Alternativa — com o limite notávelFazendo a mudança de variável \(y=x-k\) (logo \(y\to 0\)) e usando \(x^{2}-k^{2}=(x-k)(x+k)\):
14. Continuidade com parâmetro e limites notáveis
Seja \(g\) a função, de domínio \(\mathbb{R}^{+}\), definida por
em que \(k\) é um número real.
Determine o valor de \(k\) para o qual a função \(g\) é contínua em \(x=1\).
Como \(1\geqslant 1\), a imagem vem do primeiro ramo, que é contínuo:
A continuidade em \(x=1\) reduz-se, portanto, a \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{-}} g(x)=e^{2k}-e^{k}-2\).
Passo 2 — o limite à esquerdaSubstituindo \(x=1\): \(\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}\right)=1\), logo o numerador tende para \(\ln(1)=0\); e \(\operatorname{sen}(\pi)=0\). Indeterminação \(\frac{0}{0}\).
Aplica-se a regra de L'Hôpital. Derivando o numerador com \(\left(\ln u\right)'=\frac{u'}{u}\), sendo \(u=\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}x\right)\) e \(u'=\frac{\pi}{2}\cos\left(\frac{\pi}{2}x\right)\):
Em \(x=1\): \(\cos\left(\frac{\pi}{2}\right)=0\), \(\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}\right)=1\) e \(\cos(\pi)=-1\). Logo o numerador vale \(\frac{\pi}{2}\times\frac{0}{1}=0\) e o denominador vale \(-\pi\neq 0\):
Confirmação com uma mudança de variável \(t=1-x\to 0^{+}\), usando \(\operatorname{sen}\left(\frac{\pi}{2}-\frac{\pi}{2}t\right)=\cos\left(\frac{\pi}{2}t\right)\) e \(\operatorname{sen}(\pi-\pi t)=\operatorname{sen}(\pi t)\):
pois o numerador tende para \(\ln 1=0\) muito mais depressa (é da ordem de \(t^{2}\)) do que o denominador (da ordem de \(t\)).
Passo 3 — resolver a equação em \(k\)Fazendo \(y=e^{k}\) (com \(y\gt 0\)) e notando que \(e^{2k}=\left(e^{k}\right)^{2}=y^{2}\), obtém-se uma equação do 2.º grau:
Como \(y=e^{k}\gt 0\), a solução \(y=-1\) é de rejeitar. Fica \(e^{k}=2\).
Passo 4 — conclusão