Estudo de funções

Matemática A - 12.º ano - Novo Programa 2026 - matematicaparatodos.pt

📌 Resumo teórico

Roteiro do estudo de uma função

Fazer o «estudo completo» de uma função é percorrer, por esta ordem, seis pontos. No fim, todos eles se juntam num esboço do gráfico.

PassoO que se faz
1. Domíniodenominadores \(\ne 0\); radicandos \(\ge 0\); argumentos de logaritmos \(\gt 0\)
2. Continuidadeidentificar a função como soma, produto, quociente ou composta de funções contínuas
3. Assíntotasverticais nos pontos «à beira» do domínio; não verticais com \(m\) e \(b\)
4. Interseções com os eixoscom \(Ox\): resolver \(f(x)=0\); com \(Oy\): calcular \(f(0)\), se \(0\in D_f\)
5. Monotonia e extremosquadro de sinal de \(f'\)
6. Concavidades e inflexõesquadro de sinal de \(f''\)

Primeira derivada — monotonia e extremos

\[ \begin{aligned} &f'(x)\gt 0 \text{ num intervalo} &&\Longrightarrow\ f \text{ é \textbf{crescente} nesse intervalo}\\[.3em] &f'(x)\lt 0 \text{ num intervalo} &&\Longrightarrow\ f \text{ é \textbf{decrescente} nesse intervalo} \end{aligned} \]

Se \(f'\) mudar de sinal num ponto \(a\) do domínio, então \(f(a)\) é um extremo relativo: máximo se passa de \(+\) a \(-\), mínimo se passa de \(-\) a \(+\).

Segunda derivada — concavidades e inflexões

\[ \begin{aligned} &f''(x)\gt 0 \text{ num intervalo} &&\Longrightarrow\ \text{concavidade voltada para \textbf{cima}}\\[.3em] &f''(x)\lt 0 \text{ num intervalo} &&\Longrightarrow\ \text{concavidade voltada para \textbf{baixo}} \end{aligned} \]

Há ponto de inflexão onde \(f''\) muda de sinal (e o ponto pertence ao domínio).

Reta tangente e reta perpendicular

\[ \underbrace{y=f'(a)\,(x-a)+f(a)}_{\text{tangente em }x=a} \qquad\qquad m_{\perp}=-\frac{1}{f'(a)} \]

Duas retas não verticais são perpendiculares se e só se o produto dos declives é \(-1\).

Cuidados no quadro de sinal: os pontos que não pertencem ao domínio entram no quadro, mas com n.d. (não definido) — não são zeros da derivada nem podem dar extremos ou pontos de inflexão. Só os zeros da derivada que pertencem ao domínio são candidatos.

Nota (Aprendizagens Essenciais, janeiro de 2023): pretende-se «resolver problemas, envolvendo o estudo de funções, complementando o uso da tecnologia com o estudo analítico». No estudo de funções está incluído o trabalho com funções polinomiais, racionais, exponenciais e logarítmicas e operações entre estas. A determinação algébrica da segunda derivada abrange também as funções trigonométricas.

1. Estudo completo de uma função racional

1

Considere a função racional \(f\) definida por \(f(x)=\dfrac{x^{2}}{x-1}\).

  1. 1.1. Estude a função \(f\) quanto:
    • a) ao seu domínio;
    • b) à continuidade;
    • c) à existência de assíntotas ao seu gráfico;
    • d) à interseção do seu gráfico com os eixos coordenados;
    • e) à monotonia e existência de extremos relativos;
    • f) ao sentido da concavidade do seu gráfico e à existência de pontos de inflexão.
  2. 1.2. Faça um esboço do gráfico da função \(f\).
1.1. a) — domínio

Sendo uma função racional, o domínio é o conjunto dos números reais que não anulam o denominador:

\[ D_f=\{x\in\mathbb{R}: x-1\ne 0\}=\mathbb{R}\setminus\{1\} \]
1.1. b) — continuidade

\(f\) é o quociente de duas funções polinomiais, que são contínuas em \(\mathbb{R}\). O quociente de funções contínuas é contínuo em todos os pontos onde o denominador não se anula.

\(f\) é contínua em todo o seu domínio, \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\).
1.1. c) — assíntota vertical

O único candidato é \(x=1\). Como o numerador em \(1\) vale \(1^{2}=1\ne 0\), o limite é do tipo \(\frac{1}{0}\):

\[ \lim_{x\to 1^{-}}\frac{x^{2}}{x-1}=\frac{1}{0^{-}}=-\infty \qquad \lim_{x\to 1^{+}}\frac{x^{2}}{x-1}=\frac{1}{0^{+}}=+\infty \]

Logo \(x=1\) é assíntota vertical.

1.1. c) — assíntota não vertical
\[ m=\lim_{x\to \pm\infty}\frac{f(x)}{x} =\lim_{x\to \pm\infty}\frac{x^{2}}{x\,(x-1)} =\lim_{x\to \pm\infty}\frac{x}{x-1}=1 \]
\[ b=\lim_{x\to \pm\infty}\big[f(x)-x\big] =\lim_{x\to \pm\infty}\frac{x^{2}-x(x-1)}{x-1} =\lim_{x\to \pm\infty}\frac{x}{x-1}=1 \]

Confirma-se pela divisão inteira de \(x^{2}\) por \(x-1\) (quociente \(x+1\), resto \(1\)):

\[ f(x)=x+1+\frac{1}{x-1} \]
Assíntota vertical: \(x=1\). Assíntota oblíqua (em \(-\infty\) e em \(+\infty\)): \(y=x+1\).
1.1. d) — interseção com os eixos

Com o eixo \(Ox\), resolve-se \(f(x)=0\). Uma fração é nula quando o numerador é nulo (e o denominador não):

\[ \frac{x^{2}}{x-1}=0 \iff x^{2}=0 \ \wedge\ x\ne 1 \iff x=0 \]

Com o eixo \(Oy\), calcula-se \(f(0)\):

\[ f(0)=\frac{0^{2}}{0-1}=0 \]
O gráfico interseta os dois eixos apenas na origem, no ponto \((0,0)\).
1.1. e) — primeira derivada

Regra do quociente:

\[ f'(x)=\frac{2x\,(x-1)-x^{2}\times 1}{(x-1)^{2}} =\frac{2x^{2}-2x-x^{2}}{(x-1)^{2}} =\frac{x^{2}-2x}{(x-1)^{2}} =\frac{x\,(x-2)}{(x-1)^{2}} \]
\[ f'(x)=0 \iff x\,(x-2)=0\ \wedge\ x\ne 1 \iff x=0 \ \vee\ x=2 \]
1.1. e) — quadro de sinal de \(f'\)

O denominador \((x-1)^{2}\) é sempre positivo (para \(x\ne 1\)), pelo que o sinal de \(f'\) é o sinal de \(x(x-2)\).

\(x\)\(-\infty\)\(0\)\(1\)\(2\)\(+\infty\)
\(x\)\(-\)\(0\)\(+\)\(+\)\(+\)\(+\)\(+\)
\(x-2\)\(-\)\(-\)\(-\)\(-\)\(-\)\(0\)\(+\)
\((x-1)^{2}\)\(+\)\(+\)\(+\)n.d.\(+\)\(+\)\(+\)
\(f'(x)\)\(+\)\(0\)\(-\)n.d.\(-\)\(0\)\(+\)
\(f(x)\)\(\nearrow\)máx.\(\searrow\)n.d.\(\searrow\)mín.\(\nearrow\)
\[ f(0)=0 \qquad\text{e}\qquad f(2)=\frac{2^{2}}{2-1}=4 \]

\(f\) é crescente em \(\left]-\infty,0\right]\) e em \(\left[2,+\infty\right[\); é decrescente em \(\left[0,1\right[\) e em \(\left]1,2\right]\).

Máximo relativo \(f(0)=0\); mínimo relativo \(f(2)=4\).

1.1. f) — segunda derivada

É mais rápido derivar a forma obtida na alínea c), \(f(x)=x+1+(x-1)^{-1}\):

\[ f'(x)=1-(x-1)^{-2} \qquad\Longrightarrow\qquad f''(x)=2\,(x-1)^{-3}=\frac{2}{(x-1)^{3}} \]

(Derivando \(f'(x)=\dfrac{x^{2}-2x}{(x-1)^{2}}\) pela regra do quociente chega-se ao mesmo resultado.)

1.1. f) — quadro de sinal de \(f''\)

O numerador é \(2\gt 0\), pelo que o sinal de \(f''\) é o sinal de \((x-1)^{3}\), que é o sinal de \(x-1\). A segunda derivada nunca se anula.

\(x\)\(-\infty\)\(1\)\(+\infty\)
\(f''(x)\)\(-\)n.d.\(+\)
gráfico de \(f\)\(\frown\)n.d.\(\smile\)

Em \(x=1\) o sinal muda, mas \(1\notin D_f\): não há ponto de inflexão (não existe ponto do gráfico com essa abcissa).

Concavidade voltada para baixo em \(\left]-\infty,1\right[\) e voltada para cima em \(\left]1,+\infty\right[\).

O gráfico de \(f\) não tem pontos de inflexão.

1.2. — esboço do gráfico

Reunindo tudo: assíntotas \(x=1\) e \(y=x+1\); passa na origem; máximo relativo em \((0,0)\) e mínimo relativo em \((2,4)\); concavidade para baixo antes de \(1\) e para cima depois de \(1\).

Esboço do gráfico de f(x)=x ao quadrado sobre x menos um, com assíntota vertical x=1, assíntota oblíqua y=x+1, máximo em (0,0) e mínimo em (2,4)

2. Extremos da derivada e retas tangentes

2

Seja \(f\) uma função duas vezes derivável em \(\mathbb{R}\), cuja primeira derivada é definida por:

\[ f'(x)=\frac{x}{x^{2}+1} \]
  1. 2.1. Determine as abcissas dos extremos relativos de \(f'\).
  2. 2.2. Seja \(r\) a reta tangente ao gráfico de \(f\) no ponto de abcissa \(x=2\), que se sabe ter ordenada na origem igual a \(-1\). Seja \(s\) a reta perpendicular à reta \(r\) e que passa no ponto de coordenadas \(\big(2,f(2)\big)\).
    Determine as coordenadas do ponto de interseção da reta \(s\) com o eixo das abcissas.
2.1. — atenção ao que é pedido

Pedem-se os extremos de \(f'\), e não de \(f\). Para estudar a monotonia de \(f'\) é preciso derivar \(f'\), ou seja, calcular \(f''\).

2.1. — cálculo de \(f''\)

Regra do quociente, com \(\left(x^{2}+1\right)'=2x\):

\[ f''(x)=\frac{1\times\left(x^{2}+1\right)-x\times 2x}{\left(x^{2}+1\right)^{2}} =\frac{x^{2}+1-2x^{2}}{\left(x^{2}+1\right)^{2}} =\frac{1-x^{2}}{\left(x^{2}+1\right)^{2}} \]
\[ f''(x)=0 \iff 1-x^{2}=0 \iff x=-1 \ \vee\ x=1 \]
2.1. — quadro de sinal de \(f''\)

O denominador \(\left(x^{2}+1\right)^{2}\) é sempre positivo, pelo que o sinal de \(f''\) é o sinal de \(1-x^{2}\) (uma parábola com a concavidade voltada para baixo e zeros em \(-1\) e \(1\)): negativo fora das raízes, positivo entre elas.

\(x\)\(-\infty\)\(-1\)\(1\)\(+\infty\)
\(f''(x)\)\(-\)\(0\)\(+\)\(0\)\(-\)
\(f'(x)\)\(\searrow\)mín.\(\nearrow\)máx.\(\searrow\)
\[ f'(-1)=\frac{-1}{(-1)^{2}+1}=-\frac12 \qquad\text{e}\qquad f'(1)=\frac{1}{1^{2}+1}=\frac12 \]

\(f'\) tem um mínimo relativo de abcissa \(-1\) (igual a \(-\frac12\)) e um máximo relativo de abcissa \(1\) (igual a \(\frac12\)).

2.2. — declive e equação da reta \(r\)

O declive da tangente no ponto de abcissa \(2\) é \(f'(2)\):

\[ f'(2)=\frac{2}{2^{2}+1}=\frac{2}{5} \]

Como a ordenada na origem de \(r\) é \(-1\):

\[ r:\ y=\frac{2}{5}x-1 \]
2.2. — o ponto de tangência

O ponto \(\big(2,f(2)\big)\) pertence a \(r\), logo basta substituir \(x=2\) na equação de \(r\):

\[ f(2)=\frac{2}{5}\times 2-1=\frac{4}{5}-1=-\frac15 \]
2.2. — equação da reta \(s\)

Retas perpendiculares têm declives cujo produto é \(-1\):

\[ m_s=-\frac{1}{\frac{2}{5}}=-\frac52 \]

A reta \(s\) passa no ponto \(\left(2,-\frac15\right)\):

\[ s:\ y=-\frac52\,(x-2)-\frac15 \iff y=-\frac52 x+5-\frac15 \iff y=-\frac52 x+\frac{24}{5} \]
2.2. — interseção com o eixo \(Ox\)
\[ -\frac52 x+\frac{24}{5}=0 \iff \frac52 x=\frac{24}{5} \iff x=\frac{24}{5}\times\frac{2}{5}=\frac{48}{25} \]
O ponto de interseção é \(\left(\dfrac{48}{25},\,0\right)\), ou seja, \((1{,}92\,;\,0)\).

3. Zeros e pontos de inflexão

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Considere que a função \(f\), duas vezes derivável em \(\mathbb{R}\), de período \(2\pi\), representada na figura seguinte, é definida por:

\[ f(x)=\operatorname{sen} x+\cos x \]
Gráfico da função f(x) = sen x + cos x, uma sinusoide de amplitude raiz de dois

Mostre que se \(f(x)=0\), então \(f''(x)=0\).

Interprete geometricamente este resultado.

Passo 1 — calcular \(f''\)
\[ f'(x)=(\operatorname{sen} x)'+(\cos x)'=\cos x-\operatorname{sen} x \]
\[ f''(x)=(\cos x)'-(\operatorname{sen} x)'=-\operatorname{sen} x-\cos x \]
Passo 2 — relacionar \(f''\) com \(f\)

Pondo \(-1\) em evidência, reconhece-se a expressão de \(f\):

\[ f''(x)=-\left(\operatorname{sen} x+\cos x\right)=-f(x) \]

Esta igualdade é válida para todo o \(x\in\mathbb{R}\).

Passo 3 — conclusão

Se \(f(x)=0\), então:

\[ f''(x)=-f(x)=-0=0 \qquad\blacksquare \]
Interpretação geométrica

Os pontos em que \(f(x)=0\) são exatamente os pontos em que o gráfico interseta o eixo \(Ox\). O que se mostrou é que, nesses pontos, a segunda derivada também se anula.

Mais do que isso: como \(f''=-f\) e \(f\) muda de sinal ao atravessar cada um dos seus zeros (como se vê na figura), também \(f''\) muda aí de sinal. Logo todos esses pontos são pontos de inflexão.

Os zeros são as soluções de \(\operatorname{sen} x+\cos x=0\), isto é, \(\tan x=-1\):

\(x=-\dfrac{\pi}{4}+k\pi\ ,\ k\in\mathbb{Z}\)

Nesses pontos o gráfico troca a concavidade: onde \(f\gt 0\) tem-se \(f''\lt 0\) (concavidade voltada para baixo) e onde \(f\lt 0\) tem-se \(f''\gt 0\) (concavidade voltada para cima).

Como \(f''(x)=-f(x)\), se \(f(x)=0\) então \(f''(x)=0\).

Geometricamente: os pontos onde o gráfico de \(f\) interseta o eixo \(Ox\) são precisamente os pontos de inflexão do gráfico — é aí que o gráfico muda o sentido da concavidade.

4. Limites, zeros e extremos de um quociente

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Seja \(f\) a função real de variável real definida por:

\[ f(x)=\frac{e^{x}+x}{e^{-x}-x} \]

Qual das seguintes afirmações é falsa?

  • (A) \(\displaystyle\lim_{x\to+\infty}f(x)=-1\)
  • (B) \(\displaystyle\lim_{x\to-\infty}f(x)=0\)
  • (C) A função \(f\) tem, pelo menos, um zero.
  • (D) A função \(f\) tem um máximo relativo em \(\left]1,\,2\right[\).
Passo prévio — o domínio

O denominador não pode anular-se. Seja \(h(x)=e^{-x}-x\):

\[ h'(x)=-e^{-x}-1\lt 0\ ,\quad \forall x\in\mathbb{R} \]

Logo \(h\) é estritamente decrescente. Como \(h\) é contínua e

\[ h(0)=e^{0}-0=1\gt 0 \qquad\text{e}\qquad h(1)=\frac1e-1\approx -0{,}63\lt 0 \]

o Teorema de Bolzano garante que \(h\) tem um zero em \(\left]0,\,1\right[\) e, por ser estritamente decrescente, esse zero é único. Com a calculadora, \(x_0\approx 0{,}57\).

\(D_f=\mathbb{R}\setminus\{x_0\}\), com \(x_0\approx 0{,}57\).

Além disso, e por \(h\) ser decrescente: \(e^{-x}-x\gt 0\) para \(x\lt x_0\) e \(e^{-x}-x\lt 0\) para \(x\gt x_0\). Este sinal vai ser usado na alínea (D).

Afirmação (A)

Quando \(x\to+\infty\): o numerador tende para \(+\infty\) e o denominador para \(0-\infty=-\infty\). É uma indeterminação \(\dfrac{\infty}{\infty}\). Divide-se o numerador e o denominador por \(x\):

\[ \lim_{x\to+\infty}\frac{e^{x}+x}{e^{-x}-x} =\lim_{x\to+\infty}\frac{\dfrac{e^{x}}{x}+1}{\dfrac{e^{-x}}{x}-1} \]

Ora \(\displaystyle\lim_{x\to+\infty}\frac{e^{x}}{x}=+\infty\) (limite notável) e \(\displaystyle\lim_{x\to+\infty}\frac{e^{-x}}{x}=\frac{0}{+\infty}=0\). Portanto:

\[ \lim_{x\to+\infty}f(x)=\frac{+\infty}{0-1}=\frac{+\infty}{-1}=-\infty \]
O limite é \(-\infty\) e não \(-1\): a afirmação (A) é falsa.
Afirmação (B) — é verdadeira

Quando \(x\to-\infty\), o numerador tende para \(0-\infty=-\infty\) e o denominador para \(+\infty+\infty=+\infty\). Faz-se a mudança de variável \(t=-x\), com \(t\to+\infty\):

\[ \lim_{x\to-\infty}\frac{e^{x}+x}{e^{-x}-x} =\lim_{t\to+\infty}\frac{e^{-t}-t}{e^{t}+t} \]

Dividindo o numerador e o denominador por \(e^{t}\):

\[ =\lim_{t\to+\infty}\frac{e^{-2t}-\dfrac{t}{e^{t}}}{1+\dfrac{t}{e^{t}}} =\frac{0-0}{1+0}=0 \]

usando \(\displaystyle\lim_{t\to+\infty}\frac{t}{e^{t}}=0\), que é o inverso do limite notável \(\displaystyle\lim_{t\to+\infty}\frac{e^{t}}{t}=+\infty\).

\(\displaystyle\lim_{x\to-\infty}f(x)=0\): a afirmação (B) é verdadeira.
Afirmação (C) — é verdadeira

Uma fração é nula quando o numerador é nulo (e o denominador não). Seja \(g(x)=e^{x}+x\):

\[ g'(x)=e^{x}+1\gt 0\ ,\quad \forall x\in\mathbb{R} \]

\(g\) é contínua e estritamente crescente, e

\[ g(-1)=\frac1e-1\approx -0{,}63\lt 0 \qquad\text{e}\qquad g(0)=1\gt 0 \]

Pelo Teorema de Bolzano existe \(c\in\left]-1,\,0\right[\) tal que \(g(c)=0\). Como \(c\lt 0\lt x_0\), tem-se \(c\in D_f\), e o denominador em \(c\) não é nulo.

\(f(c)=0\) com \(c\approx -0{,}57\): \(f\) tem (exatamente) um zero. A afirmação (C) é verdadeira.
Afirmação (D) — é verdadeira

Considere-se o intervalo \(\left]x_0,\,+\infty\right[\), onde \(f\) é contínua. Aí, o numerador é positivo (pois \(x\gt 0\)) e o denominador é negativo, pelo que \(f(x)\lt 0\). Nos dois extremos do intervalo:

\[ \lim_{x\to x_0^{+}}f(x)=\frac{e^{x_0}+x_0}{0^{-}}=-\infty \qquad\text{e}\qquad \lim_{x\to+\infty}f(x)=-\infty \]

Uma função contínua que tende para \(-\infty\) nos dois extremos de um intervalo tem, necessariamente, um máximo no interior desse intervalo.

Com a calculadora gráfica, esse máximo é atingido para \(x\approx 1{,}54\), com \(f(1{,}54)\approx -4{,}68\).

Confirmação com alguns valores: \(f(1)\approx -5{,}88\), \(f(1{,}54)\approx -4{,}68\), \(f(2)\approx -5{,}04\) — o valor no meio é maior do que nos extremos.

Existe máximo relativo em \(\left]1,\,2\right[\): a afirmação (D) é verdadeira.
Opção (A)

5. Função definida por ramos: tangente e assíntotas

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Seja \(f\) a função real de variável real definida por:

\[ f(x)=\begin{cases} e^{2x+1} & \text{se } x\le 0\\[.5em] \dfrac{e^{x}-1}{x} & \text{se } x\gt 0 \end{cases} \]
  1. 5.1. Determine a equação reduzida da reta tangente ao gráfico de \(f\) no ponto de abcissa \(1\).
  2. 5.2. Estude a existência de assíntotas ao gráfico de \(f\).
5.1. — escolher o ramo

Como \(1\gt 0\), usa-se o segundo ramo: \(f(x)=\dfrac{e^{x}-1}{x}\).

\[ f(1)=\frac{e^{1}-1}{1}=e-1 \]
5.1. — a derivada

Pela regra do quociente, para \(x\gt 0\):

\[ f'(x)=\frac{e^{x}\times x-\left(e^{x}-1\right)\times 1}{x^{2}} =\frac{x\,e^{x}-e^{x}+1}{x^{2}} \]
\[ f'(1)=\frac{1\times e-e+1}{1^{2}}=\frac{1}{1}=1 \]
5.1. — equação da reta
\[ y=f'(1)\,(x-1)+f(1) \iff y=1\,(x-1)+e-1 \]
\[ \iff y=x+e-2 \]
\(y=x+e-2\ \ \left(\approx x+0{,}72\right)\)
5.2. — o domínio

O primeiro ramo está definido para todo o \(x\le 0\) e o segundo exige apenas \(x\ne 0\), o que se verifica em \(x\gt 0\).

\[ D_f=\mathbb{R} \]
5.2. — assíntotas verticais

Como \(D_f=\mathbb{R}\), só poderia haver assíntota vertical num ponto onde um limite lateral fosse infinito. O único ponto a analisar é \(x=0\), onde muda o ramo:

\[ \lim_{x\to 0^{-}}f(x)=\lim_{x\to 0^{-}}e^{2x+1}=e^{1}=e \]
\[ \lim_{x\to 0^{+}}f(x)=\lim_{x\to 0^{+}}\frac{e^{x}-1}{x}=1 \]

(o segundo é o limite notável \(\displaystyle\lim_{x\to 0}\frac{e^{x}-1}{x}=1\)).

Os dois limites laterais são finitos. Note-se que, sendo diferentes entre si (e diferentes de \(f(0)=e\)), \(f\) não é contínua em \(0\) — mas uma descontinuidade só dá assíntota vertical quando o limite é infinito.

O gráfico de \(f\) não tem assíntotas verticais.
5.2. — assíntota quando \(x\to-\infty\)

Neste ramo \(f(x)=e^{2x+1}\):

\[ \lim_{x\to-\infty}e^{2x+1}=e^{-\infty}=0 \]
\(y=0\) é assíntota horizontal do gráfico de \(f\) quando \(x\to-\infty\).
5.2. — assíntota quando \(x\to+\infty\)

Neste ramo \(f(x)=\dfrac{e^{x}-1}{x}\):

\[ \lim_{x\to+\infty}\frac{e^{x}-1}{x} =\lim_{x\to+\infty}\left(\frac{e^{x}}{x}-\frac{1}{x}\right) =+\infty-0=+\infty \]

Não há assíntota horizontal. Procura-se então uma assíntota oblíqua \(y=mx+b\):

\[ m=\lim_{x\to+\infty}\frac{f(x)}{x} =\lim_{x\to+\infty}\frac{e^{x}-1}{x^{2}} =\lim_{x\to+\infty}\left(\frac{e^{x}}{x^{2}}-\frac{1}{x^{2}}\right)=+\infty \]

usando o limite notável \(\displaystyle\lim_{x\to+\infty}\frac{e^{x}}{x^{p}}=+\infty\). Como \(m\) não é um número real, não existe assíntota oblíqua.

Não existe qualquer assíntota ao gráfico de \(f\) quando \(x\to+\infty\).

A única assíntota do gráfico de \(f\) é a reta de equação \(y=0\), assíntota horizontal quando \(x\to-\infty\).

6. Estudo de \(f(x)=\ln\left(e^{x}+1\right)\) e um problema de custos

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Considere a função real de variável real \(f\) definida, em \(\mathbb{R}\), por:

\[ f(x)=\ln\left(e^{x}+1\right) \]
  1. 6.1. Mostre que existe uma assíntota oblíqua e uma assíntota horizontal ao gráfico de \(f\).
  2. 6.2. Estude a monotonia da função \(f\).
  3. 6.3. Determine \(f''(x)\) e justifique que o gráfico da função \(f\) não tem pontos de inflexão.
  4. 6.4. Seja \(g\) a função de domínio \(\mathbb{R}^{+}\) definida por:
    \[ g(x)=f(x)\ ,\quad x\gt 0 \]
    Admita que \(g(x)\) representa, em milhares de euros, o custo de produção de um certo artigo, quando são produzidas \(x\) centenas de unidades.

    Determine, recorrendo à calculadora gráfica, o número de unidades produzidas para o qual o acréscimo de custo de produção, ao passar de \(x\) centenas de unidades para o seu dobro, é igual a \(0{,}8x\) milhares de euros.

    Apresente o resultado arredondado às centésimas.

6.1. — uma reescrita muito útil

Como \(e^{x}\gt 0\), pode pôr-se \(e^{x}\) em evidência dentro do logaritmo:

\[ e^{x}+1=e^{x}\left(1+e^{-x}\right) \]
\[ f(x)=\ln\left(e^{x}\left(1+e^{-x}\right)\right) =\underbrace{\ln\left(e^{x}\right)}_{=\,x}+\ln\left(1+e^{-x}\right) =x+\ln\left(1+e^{-x}\right) \]
6.1. — assíntota oblíqua (\(x\to+\infty\))
\[ m=\lim_{x\to+\infty}\frac{f(x)}{x} =\lim_{x\to+\infty}\left(1+\frac{\ln\left(1+e^{-x}\right)}{x}\right) =1+\frac{\ln 1}{+\infty}=1+0=1 \]
\[ b=\lim_{x\to+\infty}\left(f(x)-1\times x\right) =\lim_{x\to+\infty}\ln\left(1+e^{-x}\right) =\ln(1+0)=\ln 1=0 \]

Como \(m=1\ne 0\) e \(b=0\) são números reais, a reta é oblíqua.

\(y=x\) é assíntota oblíqua do gráfico de \(f\) quando \(x\to+\infty\).
6.1. — assíntota horizontal (\(x\to-\infty\))
\[ \lim_{x\to-\infty}\ln\left(e^{x}+1\right)=\ln\left(0+1\right)=\ln 1=0 \]
\(y=0\) é assíntota horizontal do gráfico de \(f\) quando \(x\to-\infty\). \(\blacksquare\)

De outro modo, para o declive: pela Regra de L'Hôpital, para a indeterminação \(\dfrac{\infty}{\infty}\),

\(\displaystyle m=\lim_{x\to+\infty}\frac{\ln\left(e^{x}+1\right)}{x}=\lim_{x\to+\infty}\frac{\dfrac{e^{x}}{e^{x}+1}}{1}=\lim_{x\to+\infty}\frac{1}{1+e^{-x}}=\frac{1}{1+0}=1\)

6.2. — a primeira derivada

Com \(\left(\ln u\right)'=\dfrac{u'}{u}\), sendo \(u=e^{x}+1\) e \(u'=e^{x}\):

\[ f'(x)=\frac{e^{x}}{e^{x}+1} \]

Para todo o \(x\in\mathbb{R}\) tem-se \(e^{x}\gt 0\) e, portanto, \(e^{x}+1\gt 1\gt 0\). O quociente de dois números positivos é positivo:

\[ f'(x)\gt 0\ ,\quad \forall x\in\mathbb{R} \]
\(f\) é estritamente crescente em \(\mathbb{R}\); não tem extremos.
6.3. — a segunda derivada

Deriva-se \(f'\) pela regra do quociente:

\[ f''(x)=\frac{e^{x}\left(e^{x}+1\right)-e^{x}\times e^{x}}{\left(e^{x}+1\right)^{2}} =\frac{e^{2x}+e^{x}-e^{2x}}{\left(e^{x}+1\right)^{2}} \]
\[ f''(x)=\frac{e^{x}}{\left(e^{x}+1\right)^{2}} \]
6.3. — porque não há pontos de inflexão

Para todo o \(x\in\mathbb{R}\): o numerador \(e^{x}\) é positivo e o denominador \(\left(e^{x}+1\right)^{2}\) é o quadrado de um número não nulo, logo também é positivo. Portanto:

\[ f''(x)\gt 0\ ,\quad \forall x\in\mathbb{R} \]

A segunda derivada nunca se anula e nunca muda de sinal. Como um ponto de inflexão exige mudança do sentido da concavidade — isto é, mudança de sinal de \(f''\) —, não existe nenhum.

\(f''(x)=\dfrac{e^{x}}{\left(e^{x}+1\right)^{2}}\)

Como \(f''(x)\gt 0\) em todo o \(\mathbb{R}\), o gráfico de \(f\) tem sempre a concavidade voltada para cima e não tem pontos de inflexão. \(\blacksquare\)

6.4. — traduzir o enunciado

Produzir \(x\) centenas de unidades custa \(g(x)\); produzir o dobro, \(2x\) centenas, custa \(g(2x)\). O acréscimo de custo é a diferença:

\[ g(2x)-g(x)=0{,}8x \]
\[ \ln\left(e^{2x}+1\right)-\ln\left(e^{x}+1\right)=0{,}8x\ ,\quad x\gt 0 \]
6.4. — resolver com a calculadora

Introduzem-se

\[ Y_1=\ln\left(e^{2x}+1\right)-\ln\left(e^{x}+1\right) \qquad\text{e}\qquad Y_2=0{,}8x \]

e procura-se a abcissa do ponto de interseção, numa janela do tipo \(x\in\left[0,\,3\right]\) e \(y\in\left[0,\,3\right]\).

Atenção: \(x=0\) também verifica a igualdade (dá \(0=0\)), mas está excluído por ser \(D_g=\mathbb{R}^{+}\). É a outra interseção que interessa.

\[ x\approx 0{,}9388 \]
6.4. — voltar ao contexto

O valor obtido está em centenas de unidades. O número de unidades é, portanto, \(100x\):

\[ 100\times 0{,}9388=93{,}88 \]

O número de unidades produzidas é, aproximadamente, \(93{,}88\) unidades — ou seja, \(x\approx 0{,}94\) centenas de unidades.