📌 Resumo teórico
Assíntotas verticais
A reta de equação \(x=a\) é assíntota vertical ao gráfico de \(f\) se pelo menos um dos limites laterais de \(f\) em \(a\) for infinito:
Os candidatos a assíntota vertical são os pontos que não pertencem ao domínio mas que estão «encostados» a ele: zeros do denominador, extremos de intervalos, pontos onde muda o ramo de uma função definida por ramos.
Atenção: um ponto fora do domínio só dá assíntota vertical se o limite lateral for infinito. Se der um valor finito, não há assíntota.
Assíntotas não verticais
A reta de equação \(y=mx+b\) é assíntota ao gráfico de \(f\) em \(+\infty\) (ou em \(-\infty\)) se
Na prática, calculam-se \(m\) e \(b\) por esta ordem:
Se \(m=0\), a assíntota é horizontal (\(y=b\)); se \(m\ne 0\), é oblíqua. Os dois limites têm de existir e ser finitos, caso contrário não há assíntota.
O cálculo em \(-\infty\) faz-se separadamente: o gráfico pode ter assíntotas diferentes de cada lado. Por isso, uma função tem no máximo duas assíntotas não verticais.
Atalho para funções racionais
Numa função racional, a divisão inteira dá logo a assíntota não vertical. Se
então \(\dfrac{R(x)}{D(x)}\to 0\) e a assíntota é \(y=Q(x)\). Comparando os graus do numerador e do denominador:
| Graus | Assíntota não vertical |
|---|---|
| grau\((N)\lt\) grau\((D)\) | horizontal \(y=0\) |
| grau\((N)=\) grau\((D)\) | horizontal \(y=\) quociente dos coeficientes dos termos de maior grau |
| grau\((N)=\) grau\((D)+1\) | oblíqua \(y=mx+b\), com \(m\ne 0\) |
| grau\((N)\gt\) grau\((D)+1\) | não existe |
Erros frequentes:
• Concluir que há assíntota vertical só porque o ponto não pertence ao domínio — é preciso calcular o limite.
• Calcular \(m\) e \(b\) só em \(+\infty\) e assumir que em \(-\infty\) é igual. Numa função racional é, mas em geral não tem de ser (por exemplo, com \(e^{x}\) ou com módulos).
• Trocar \(f(x)-mx\) por \(f(x)-mx-b\) no cálculo de \(b\).
Nota (Aprendizagens Essenciais, janeiro de 2023): pretende-se «determinar analiticamente as equações das assíntotas, verticais e não verticais, ao gráfico de uma função». Só estão incluídas situações de cálculo algébrico cujo grau de dificuldade não ultrapasse o dos exemplos \(f(x)=\dfrac{x^{3}-1}{x^{2}+1}\), \(g(x)=\dfrac{e^{x}}{x+1}\) e \(h(x)=x+\ln x\).
1. Função definida por ramos
Estude a função \(f\), definida em \(\mathbb{R}\setminus\{1\}\), por:
quanto à existência de assíntotas ao seu gráfico que são paralelas aos eixos coordenados.
Assíntotas paralelas aos eixos coordenados são as verticais (paralelas ao eixo \(Oy\)) e as horizontais (paralelas ao eixo \(Ox\)).
Passo 1 — candidatos a assíntota verticalO único ponto que não pertence ao domínio é \(x=1\), que é também o ponto onde muda o ramo. Note-se que \(-1\) anula o denominador \(x+1\), mas esse ramo só é usado para \(x\gt 1\), pelo que \(-1\) não é candidato: para \(x\lt 1\) a função é dada pela outra expressão, que está definida em \(-1\).
Passo 2 — limites laterais em \(x=1\)À esquerda, substituindo obtém-se \(\frac00\); fatoriza-se o numerador com a diferença de quadrados:
À direita não há indeterminação:
Ambos os limites são finitos, pelo que \(x=1\) não é assíntota vertical.
O gráfico não tem assíntotas verticais.
Para \(x\to -\infty\) usa-se o ramo \(x\lt 1\), que se simplifica:
Como o limite é infinito, não há assíntota horizontal em \(-\infty\).
Passo 4 — comportamento em \(+\infty\)Para \(x\to +\infty\) usa-se o ramo \(x\gt 1\). Trata-se de \(\frac{\infty}{\infty}\); põe-se \(x\) em evidência (ou aplica-se a regra de L'Hôpital):
O limite é finito, logo \(y=2\) é assíntota horizontal quando \(x\to +\infty\).
Nota: em \(-\infty\) o gráfico coincide com a reta \(y=x+1\), que é assíntota oblíqua. Como não é paralela a nenhum dos eixos, fica fora do que o enunciado pede.
Não existem assíntotas verticais.
A única assíntota paralela aos eixos coordenados é a reta de equação \(y=2\) (horizontal, quando \(x\to+\infty\)).
2. Assíntotas de uma função racional
Determine as equações das assíntotas ao gráfico da função \(f\) definida por:
O candidato é \(x=1\). Substituindo no numerador: \(2\times 1^{2}-1+3=4\ne 0\), logo o limite é do tipo \(\frac{4}{0}\) e é infinito.
Logo \(x=1\) é assíntota vertical.
Passo 3 — declive \(m\) da assíntota não vertical(Num quociente de polinómios do mesmo grau, o limite em \(\pm\infty\) é o quociente dos coeficientes dos termos de maior grau.)
Passo 4 — ordenada na origem \(b\)Em \(-\infty\) os cálculos são exatamente os mesmos e dão os mesmos valores, pelo que a assíntota é a mesma dos dois lados.
Confirmação pela divisão inteiraDividindo \(2x^{2}-x+3\) por \(x-1\) obtém-se quociente \(2x+1\) e resto \(4\):
Como \(\dfrac{4}{x-1}\to 0\) quando \(x\to\pm\infty\), a assíntota oblíqua é \(y=2x+1\); e como \(\dfrac{4}{x-1}\to\pm\infty\) quando \(x\to 1\), confirma-se a assíntota vertical \(x=1\).
Assíntota vertical: \(x=1\).
Assíntota oblíqua (em \(-\infty\) e em \(+\infty\)): \(y=2x+1\).
3. Verificar se uma reta é assíntota
Considere a função \(f\) definida, em \(\mathbb{R}\), por:
Verifique se a reta de equação \(y=2x-1\) é uma assíntota ao gráfico de \(f\).
Observação: a expressão só faz sentido para \(x\ne 0\); o domínio de \(f\) é, portanto, \(\mathbb{R}\setminus\{0\}\). Isso não afeta o estudo do comportamento em \(\pm\infty\).
Passo 1 — aplicar a definiçãoA reta \(y=2x-1\) é assíntota se e só se a diferença entre a função e a reta tender para zero:
Como a diferença tende para \(1\) e não para \(0\), a reta \(y=2x-1\) não é assíntota ao gráfico de \(f\). O mesmo acontece em \(-\infty\).
Passo 3 — qual é, então, a assíntota?Simplificando a expressão de \(f\):
Assim, \(f(x)-2x=\dfrac1x\to 0\) quando \(x\to\pm\infty\).
Confirmando pelas fórmulas: \(m=\displaystyle\lim_{x\to\pm\infty}\frac{f(x)}{x}=\lim\left(2+\frac{1}{x^{2}}\right)=2\) e \(b=\displaystyle\lim_{x\to\pm\infty}\big[f(x)-2x\big]=\lim\frac1x=0\).
A reta \(y=2x-1\) não é assíntota: \(\displaystyle\lim_{x\to\pm\infty}\big[f(x)-(2x-1)\big]=1\ne 0\).
A assíntota oblíqua ao gráfico de \(f\) é a reta de equação \(y=2x\).
4. Ler assíntotas num gráfico
Na figura está representado, em referencial o. n. \(Oxy\), o gráfico de uma função \(f\), tal como é sugerido, com duas assíntotas: uma vertical de equação \(x=1\) e uma oblíqua com ordenada na origem igual a \(2\).
Sabe-se que o ponto de interseção das assíntotas tem ordenada \(3\).
Qual das afirmações seguintes é verdadeira?
- (A) \(\displaystyle\lim_{x\to 1}f(x)=+\infty\)
- (B) \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}f(x)=1\)
- (C) \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\big(f(x)-x+2\big)=0\)
- (D) \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{f(x)}{x}=1\)
A assíntota oblíqua tem ordenada na origem \(2\), pelo que é da forma \(y=mx+2\).
As duas assíntotas intersetam-se num ponto da reta \(x=1\) e esse ponto tem ordenada \(3\), ou seja, o ponto é \((1,3)\). Substituindo:
(A) Pelo gráfico, \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{-}}f(x)=-\infty\) e \(\displaystyle\lim_{x\to 1^{+}}f(x)=+\infty\). Como os limites laterais são diferentes, não existe \(\displaystyle\lim_{x\to 1}f(x)\). Falsa.
(B) Em \(-\infty\) o gráfico aproxima-se da reta \(y=x+2\), logo \(\displaystyle\lim_{x\to -\infty}f(x)=-\infty\). Falsa. (Só haveria limite finito se existisse assíntota horizontal.)
(C) Da definição de assíntota sabe-se que \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\big[f(x)-(x+2)\big]=0\), ou seja, \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\big(f(x)-x\big)=2\). Então \(\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\big(f(x)-x+2\big)=2+2=4\ne 0\). Falsa.
(D) O declive da assíntota oblíqua é \(m=\displaystyle\lim_{x\to +\infty}\frac{f(x)}{x}\). Como \(m=1\), a afirmação é verdadeira.
5. Escolher o gráfico a partir de um limite
Indique em qual dos seguintes gráficos se encontram representados uma função \(f\) e uma sua assíntota oblíqua, bem como os seus pontos de interseção com os eixos coordenados, tal que:
Parte-se do limite dado e reescreve-se na forma da definição de assíntota:
Ou seja, a assíntota oblíqua é a reta de equação:
Com o eixo \(Oy\) (fazendo \(x=0\)): \(y=1\), ou seja, o ponto \((0,1)\).
Com o eixo \(Ox\) (fazendo \(y=0\)):
Logo o ponto \(\left(-\dfrac12,0\right)\).
Passo 3 — escolher o gráficoO declive é \(m=2\gt 0\), pelo que a assíntota é uma reta crescente. Isso elimina imediatamente as opções (C) e (D), em que a reta é decrescente.
Em (A) a reta passa em \((-1,0)\) e em \(\left(0,\frac12\right)\), pelo que o seu declive é \(m=\dfrac{\frac12-0}{0-(-1)}=\dfrac12\ne 2\). Não serve.
Em (B) a reta passa em \(\left(-\frac12,0\right)\) e em \((0,1)\): o declive é \(m=\dfrac{1-0}{0-\left(-\frac12\right)}=2\) e a ordenada na origem é \(1\), ou seja, \(y=2x+1\). Serve.